Leão XIV destacou ainda a esperança e o diálogo, e citou Paulo VI na ONU: «Nunca mais a guerra»

Cidade do Vaticano, 13 dez 2025 (Ecclesia) – O Papa disse hoje que “quem realmente tem esperança busca e apoia sempre o diálogo entre as partes”, num encontro jubilar do Ano Santo com diplomatas italianos a quem pediu compromisso em “desarmar proclamações e discursos”.
“Quem realmente tem esperança busca e apoia sempre o diálogo entre as partes, confiando na compreensão mútua, mesmo diante de dificuldades e tensões”, disse Leão XIV, manhã deste sábado, dia 13 de dezembro, na audiência do Ano Santo, na Sala Paulo VI, no Vaticano.
O Papa destacou o significativo dos pactos e tratados serem fechados por um acordo, e explicou que “essa proximidade do coração – ad cor – expressa a sinceridade dos gestos”, como uma assinatura ou um aperto de mão, “que de outra forma seriam reduzidos a formalidades processuais”.
“Comprometamo-nos com esperança a desarmar proclamações e discursos, cuidando não só da beleza e da precisão, mas acima de tudo da honestidade e da prudência. Quem sabe o que dizer não precisa de muitas palavras, mas apenas das certas”, pediu no Jubileu da Diplomacia Italiana, lembrando aos participantes que “quem se cansa de dialogar, cansa-se de esperar pela paz”.
Leão XIV apresentou o “testemunho de reconciliação e paz” de Jesus, que “brilha como esperança para todos os povos”, em nome do Pai, o Filho falou com “a força do Espírito Santo, realizando o diálogo de Deus com os homens”.

“Todos nós, feitos à imagem de Deus, experimentamos no diálogo, ouvindo e falando, as relações fundamentais da nossa existência. Em um clima multiétnico torna-se então indispensável cuidar do diálogo, promovendo a compreensão mútua e intercultural como sinal de acolhimento, integração e fraternidade. Em nível internacional, esse mesmo estilo pode trazer frutos de cooperação e paz, desde que perseveremos em educar nossa maneira de falar”, desenvolveu aos embaixadores do Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano.
O Papa destacou que “o cristão é sempre um homem da Palavra”, a que ouve de Deus, “antes de tudo, correspondendo em oração ao seu apelo paterno”, e indicou que “ser cristãos autênticos e cidadãos honestos” significa partilhar um “vocabulário capaz de dizer as coisas como elas são, sem duplicidade, cultivando a concórdia entre as pessoas”.
“É nosso e seu compromisso, especialmente como Embaixadores, sempre promover o diálogo e restabelecê-lo, caso ele seja interrompido; Em um contexto internacional marcado por abusos e conflitos, lembramos que o oposto do diálogo não é o silêncio, mas a ofensa”, acrescentou.
O Papa terminou a sua intervenção do Jubileu da Diplomacia Italiana a citar o discurso de Paulo VI na ONU, em 1965, quando afirmou: “Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! É a paz, a paz que deve guiar o destino dos povos e de toda a humanidade!”.
“Sim, a paz é o dever que une a humanidade em uma busca comum pela justiça”, acrescentou Leão XIV.
A Igreja Católica está a celebrar o Ano Santo 2025, o 27.º jubileu ordinário da história, por iniciativa do Papa Francisco, que o dedicou ao tema da esperança, e que está a ser continuado no pontificado de Leão XIV, que vai presidir ao encerramento deste ano jubilar, no dia 6 de janeiro de 2026.
CB
