Leão XIV sublinhou que a missão de Jesus começou num momento difícil e numa «terra de passagem», aberta a todos

Cidade do Vaticano, 25 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa afirmou hoje, no Vaticano, que o anúncio do Evangelho implica assumir o “risco da confiança” e rejeitar tudo o que paralisa a vida da Igreja e dos cristãos.
“O risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, sendo bom qualquer momento para o Senhor”, disse Leão XIV, desde a janela do Palácio Apostólico, antes da recitação do ângelus.
Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o pontífice refletiu sobre o início da vida pública de Jesus, relatado no Evangelho deste domingo, destacando que Cristo começou a pregar num momento “que não parece ser o melhor”, logo após a prisão de João Batista.
“Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova”, observou.
Para o Papa, existe muitas vezes a tentação, na vida pessoal e eclesial, de esperar por circunstâncias ideais ou pela ausência de resistências.
Pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança.”
Leão XIV destacou ainda o local escolhido por Cristo para iniciar a missão: a Galileia, uma região de fronteira, “habitada principalmente por pagãos” e considerada um território multicultural.
“O Evangelho diz-nos, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros”, declarou.
O Papa desafiou os católicos a “vencer a tentação” de se fecharem, exortando-os a estar presentes em todas as circunstâncias e ambientes, para serem “fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos”.
“Tal como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamamento do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele”, concluiu.
Após a recitação do Angelus, o Papa recordou a celebração do Domingo da Palavra de Deus, instituído pelo seu antecessor, Francisco, há sete anos, para promover o conhecimento da Sagrada Escritura, agradecendo a todos os que se empenham por este “objetivo prioritário”.
Leão XIV assinalou ainda o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, recordando que vai presidir à celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora de Muros, esta tarde, com representantes de outras Igrejas em Roma.
A intervenção evocou o Dia Mundial dos Doentes de Lepra, manifestando a sua proximidade às pessoas afetadas e encorajando o trabalho da Associação Amigos de Raoul Follereau.
OC
