Vaticano: Papa assinala Dia da Memória, condenando «todas as formas de antissemitismo»

Leão XIV rejeita qualquer discriminação e assédio por motivos de religião e nacionalidade

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 27 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa assinalou hoje o Dia da Memória, que evoca as vítimas do Holocausto, reafirmando o compromisso da Igreja Católica contra todas as formas de antissemitismo e qualquer tipo de discriminação.

“Gostaria de recordar que a Igreja permanece fiel à firme posição da Declaração ‘Nostra Aetate’ contra todas as formas de antissemitismo e rejeita qualquer discriminação ou assédio por motivos étnicos, linguísticos, de nacionalidade ou religião”, escreveu Leão XIV, numa mensagem publicada na rede social X.

A posição de Leão XIV junta-se à voz dos seus predecessores que, ao longo das décadas, alertaram para as atrocidades cometidas contra o povo judeu e para a necessidade de manter viva a memória como “vacina” contra o ódio.

O portal ‘Vatican News’ recorda a histórica mensagem de rádio de Pio XII, no Natal de 1942, onde o Papa denunciou, “com a voz embargada pela emoção”, o sofrimento de centenas de milhares de pessoas condenadas à morte “apenas por motivos de nacionalidade ou ascendência”.

Bento XVI, em 2008, sublinhou que essas palavras de Pio XII eram uma “clara referência ao extermínio dos judeus”, destacando a ação muitas vezes silenciosa da Santa Sé para salvar vidas durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

Também João Paulo II, primeiro Papa polaco, evocou frequentemente as “memórias terríveis” ligadas ao regime nazi e à “Solução Final” decidida em Berlim, cidade que associou a “uma enorme quantidade de dor e sofrimento humano”.

A notícia do Vaticano recupera ainda a memória de São Maximiliano Kolbe, morto em Auschwitz ao oferecer a vida por um pai de família, gesto destacado por Paulo VI como um “ato heroico de caridade” no meio do horror dos campos de concentração.

Mais recentemente, Francisco alertou na Sinagoga de Roma que o Holocausto ensina a necessidade de uma “máxima vigilância” para defender a dignidade humana, enquanto Leão XIV, numa homilia em outubro de 2025, lembrou que, mesmo quando Deus parece silencioso perante o mal, a “salvação virá e não tardará”.

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é assinalado anualmente a 27 de janeiro, data da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau pelas tropas soviéticas, em 1945.

OC

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