Leão XIV pediu gestão ética da inteligência artificial para evitar nova corrida às armas

Cidade do Vaticano, 09 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa evocou hoje, no Vaticano, as crises humanitárias que devastam o Haiti, Mianmar e várias regiões de África, pedindo respeito pela dignidade “inalienável” de cada pessoa, com referência especial aos migrantes.
No seu discurso de Ano Novo ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, Leão XIV alertou para a “dramática situação” que se vive no Haiti, “marcada por todo o tipo de violência, desde o tráfico de seres humanos a exílios forçados e sequestros”.
“Faço votos de que, com o apoio necessário e concreto da Comunidade internacional, o país possa, o mais rapidamente possível, dar os passos necessários para restabelecer a ordem democrática, pôr fim à violência e alcançar a reconciliação e a paz”, declarou, numa intervenção pronunciada no Palácio Apostólico, perante diplomatas dos cinco continentes.
O Papa recordou também a situação na região africana dos Grandes Lagos, “assolada por violências que ceifaram inúmeras vidas”, e a guerra no Sudão, “transformado num vasto campo de batalha”, além da instabilidade no Sudão do Sul.
Em relação à Ásia, Leão XIV manifestou preocupação com a “grave crise humanitária e de segurança que aflige Mianmar, ainda mais agravada pelo devastador terramoto do passado mês de março”, apelando ao acesso rápido à ajuda humanitária.
Um dos pontos centrais da intervenção foi a defesa dos direitos dos migrantes e refugiados.
“Não se pode ignorar, por exemplo, que cada migrante é uma pessoa e que, como tal, possui direitos inalienáveis, que devem ser respeitados em todos os contextos. Além disso, nem todos os migrantes se deslocam por opção”, disse Leão XIV.
Renovo o desejo da Santa Sé para que as ações que os Estados empreendem contra a ilegalidade e o tráfico de seres humanos não se tornem pretexto para prejudicar a dignidade dos migrantes e refugiados.”
Leão XIV alertou ainda para os riscos da corrida ao armamento impulsionada pelas novas tecnologias, especificamente a inteligência artificial, defendendo a necessidade de dar seguimento ao Tratado New START sobre armas nucleares.
“A inteligência artificial é uma ferramenta que requer uma gestão adequada e ética, bem como quadros normativos centrados na proteção da liberdade e na responsabilidade humana”, afirmou, advertindo contra o perigo de um “sonho” de produzir novas armas cada vez mais sofisticadas.
O Papa concluiu o seu discurso com uma nota de esperança, citando exemplos positivos como os Acordos de Dayton, a Declaração de paz entre a Arménia e o Azerbaijão e a melhoria das relações entre o Vietname e a Santa Sé, classificando-os como “rebentos de paz, que precisam de ser cultivados”.
Mais de 180 Estados, incluindo Portugal, têm atualmente relações diplomáticas plenas com a Santa Sé, a que se somam a União Europeia e a Ordem Soberana e Militar de Malta.
OC
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