Vaticano: Papa abre Consistório extraordinário com apelo à unidade e afirma que sinodalidade é o caminho para o terceiro milénio

«Estou aqui para escutar», disse Leão XIV na abertura de reunião com o Colégio Cardinalício

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 07 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV abriu hoje, no Vaticano, os trabalhos do Consistório extraordinário com o Colégio Cardinalício, apresentando a sinodalidade como o estilo de governo necessário para a Igreja contemporânea.

“Estou aqui para escutar. Como aprendemos durante as duas Assembleias do Sínodo dos Bispos de 2023 e 2024, a dinâmica sinodal implica, por excelência, a escuta. O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio”, afirmou o pontífice no discurso inaugural, proferido na Sala do Sínodo.

Perante cardeais dos cinco contientes, Leão XIV sublinhou que a missão da Igreja não se faz por “proselitismo”, mas por “atração”, recuperando uma visão partilhada pelos seus antecessores Bento XVI e Francisco.

“A unidade atrai, a divisão dispersa. Para sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, ou seja, capaz de testemunhar a força atrativa da caridade de Cristo, devemos em primeiro lugar pôr em prática o seu mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei”, declarou.

O Papa desafiou os seus conselheiros mais próximos a um “caminho colegial”, valorizando a diversidade de proveniências e culturas presentes no Vaticano.

Somos um grupo muito variado, enriquecido pelas nossas múltiplas proveniências, culturas, tradições eclesiais e sociais. Somos chamados, em primeiro lugar, a conhecer-nos e a dialogar para podermos trabalhar juntos ao serviço da Igreja.”

O primeiro consistório do pontificado de Leão XIV, eleito em maio de 2025, foca-se em quatro eixos temáticos: a missão no mundo atual (Evangelii Gaudium), o serviço da Cúria às Igrejas locais (Praedicate Evangelium), a partir de documentos do Papa Francisco; a sinodalidade e a liturgia.

Para favorecer o aprofundamento, o Papa solicitou que os contributos se centrassem nas prioridades para os próximos dois anos.

“Não temos de chegar a um texto, mas sim levar por diante uma conversa que me ajude no serviço em prol da missão de toda a Igreja. Escutar a mente, o coração e o espírito de cada um; escutar-se mutuamente; expressar apenas o ponto principal e de forma muito breve”, explicou.

Leão XIV convidou os cardeais a escolher duas das quatro temáticas propostas, para debate mais alargado, a partir de uma pergunta-guia.

Olhando para o caminho dos próximos um ou dois anos, que atenções e prioridades poderiam orientar a ação do Santo Padre e da Cúria sobre a questão?”

Depois da intervenção, os presentes dividiram-se por grupos de trabalho, em mesas-redondas, à imagem do que aconteceu na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em 2023 e 2024, no Vaticano.

“21 grupos contribuirão para a escolha que faremos, mas, como é mais fácil para mim pedir conselhos àqueles que trabalham na Cúria e vivem em Roma, os grupos que apresentarão os seus resultados serão os nove provenientes das Igrejas locais”, precisou Leão XIV.

Os trabalhos prosseguem esta quinta-feira, com uma Missa com os cardeais às 07h30 (06h30 em Lisboa) no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, seguida de duas sessões de debate.

Ao contrário dos consistórios ordinários (habitualmente para a criação de novos cardeais), estas reuniões extraordinárias são momentos de consulta alargada. O Papa Francisco convocou dois encontros semelhantes durante o seu pontificado: em 2014, sobre a família; e em 2022, sobre a reforma da Cúria Romana.

Muitos dos participantes estiveram presentes, esta terça-feira, na cerimónia de encerramento da Porta Santa e na Missa da Epifania, que marcou o fim do Jubileu.

Entre os eleitores do Conclave de 2025, que escolheu Leão XIV, estiveram quatro portugueses: D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa; D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima; D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação; e D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal.

O Colégio Cardinalício conta atualmente com 245 membros (122 eleitores e 123 com mais de 80 anos), de 92 países.

OC

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