Vaticano: Leão XIV recordou Francisco e impacto mundial do Jubileu

Papa sublinhou importância do diálogo inter-religioso em encontro de Ano Novo com o Corpo Diplomático

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 09 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa destacou hoje, no Vaticano, o impacto do Jubileu e prestou homenagem a Francisco, falecido em 2025, falando durante o encontro de Ano Novo com o Corpo Diplomático.

“No dia do funeral [de Francisco], o mundo inteiro reuniu-se em torno do seu caixão, sentindo a perda de um pai que guiou o Povo de Deus com profunda caridade pastoral”, afirmou Leão XIV, recordando também o encerramento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, que o seu antecessor tinha aberto na noite de Natal de 2024.

O Papa sublinhou que, durante o Ano Santo, “milhões de peregrinos afluíram a Roma”, trazendo consigo “dores e feridas” para atravessar as Portas Santas, confiando que muitos tenham encontrado “conforto e esperança renovada”.

Leão XIV destacou a importância do 60.º aniversário da declaração ‘Nostra Aetate’, do Concílio Vaticano II, para reafirmar o compromisso da Igreja com o diálogo inter-religioso.

“Em toda a procura religiosa sincera há um reflexo do único Mistério divino que abraça toda a criação”, declarou, renovando o seu apreço pelo caminho percorrido nas últimas décadas.

“Nesse sentido, solicito à comunidade dos Estados que garanta total liberdade religiosa e de culto aos seus respetivos cidadãos, acrescentou.

O Papa recordou a sua primeira viagem internacional, em 2025, que o levou à Turquia e ao Líbano (27 de novembro a 2 de dezembro), apresentando-a como momentos chave de encontro entre culturas e credos.

Em particular, o discurso evocou a comemoração dos 1700 anos do Concílio de Niceia, na atual cidade turca de İznik, onde Leão XVI esteve com o patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, e outros responsáveis cristãos, falando numa “ocasião importante para renovar o empenho no caminho rumo à plena unidade visível de todos os cristãos”.

Sobre a visita ao Líbano, o pontífice destacou o exemplo de um país que procura reforçar o “entrelaçar de culturas e credos religiosos”, aspirando a construir uma sociedade mais justa e coesa.

A audiência começou com a saudação do decano do Corpo Diplomático, Georgios F. Poulides, embaixador do Chipre, que fez uma evocação vívida dos meses que marcaram a mudança de pontificado, desde a “tristeza e incredulidade” pela morte de Francisco até à alegria da eleição de Leão XIV.

“Por fim, veio a alegria do fumo branco e dos sinos tocando em toda a Cidade Eterna, que transformou a espera numa expectativa esperançosa pelo novo Vigário de Cristo”, disse o diplomata.

O embaixador Poulides destacou o impacto das primeiras palavras de Leão XIV, notando que, em tempos de incerteza, a sua mensagem inaugural “aqueceu imediatamente os corações de milhões de pessoas”.

Mais de 180 Estados, incluindo Portugal, têm atualmente relações diplomáticas plenas com a Santa Sé, a que se somam a União Europeia e a Ordem Soberana e Militar de Malta.

OC

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