Philippe Lazzarini foi recebido por Leão XIV e denunciou a violação sistemática do direito internacional

Cidade do Vaticano, 13 jan 2026 (Ecclesia) – O comissário-geral da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA) afirmou que a Faixa de Gaza é “um monte de ruínas”, alertando para o perigo de uma “geração perdida” devido à destruição do sistema educativo.
“Gaza é apenas um monte de ruínas neste momento, tudo precisa de ser reconstruído e as pessoas preocupam-se diariamente em encontrar o mínimo de assistência para as suas famílias”, disse Philippe Lazzarini em entrevista ao portal ‘Vatican News’, após ter sido recebido em audiência privada pelo Papa Leão XIV, esta segunda-feira.
O responsável descreveu ao pontífice a “miséria que prevalece”, apesar de a intensidade da guerra ter diminuído na sequência de um acordo no final de outubro.
“A população de Gaza está concentrada em menos de 50% da Faixa, que agora parece dividida em duas. Há uma parte sob o controlo do exército israelita, onde praticamente não há pessoas, e depois a parte que ainda está sob o controlo do Hamas”, explicou.
Lazzarini manifestou grande preocupação com o enfraquecimento do direito internacional, ecoando os alertas deixados pelo Papa no recente discurso ao Corpo Diplomático.
“O direito internacional foi constantemente violado nos últimos dois anos (…). A novidade é a pretensão de o violar sistematicamente, de forma tão aberta, sem sequer tentar negá-lo”, lamentou o diplomata suíço.
Para o comissário-geral da UNRWA, é fundamental que as regras não sejam aplicadas com “geometria variável”, sob pena de se perder a ordem mundial: “A alternativa, se não tivéssemos mais regras a que nos referir, seria a barbárie. E isso deve ser absolutamente evitado”.
Um dos pontos centrais da conversa com Leão XIV foi a crise educativa. Lazzarini recordou que “a educação é a única coisa que nunca foi retirada aos palestinianos”, mesmo quando perderam terras e casas, mas que esse património está agora em risco.
“Hoje, na Faixa de Gaza, todas as universidades foram destruídas, 80% das nossas escolas foram danificadas ou completamente destruídas”, detalhou, lembrando as mais de 600 mil crianças que vivem “entre os escombros, no pó, profundamente traumatizadas”.
“Se perdermos esta geração, significa que também estamos a lançar as bases para um maior extremismo no futuro”, avisou.
O responsável da ONU denunciou ainda a pressão política e legislativa de Israel para impedir a ação da UNRWA, nomeadamente em Jerusalém Oriental, onde novas leis proíbem o contacto com a agência e cortam o acesso a serviços básicos.
Philippe Lazzarini agradeceu a solidariedade do Papa, considerando que a sua mensagem de compaixão é vital para um povo que sente que “a comunidade internacional lhe virou as costas”.
OC
