Israel e o Vaticano retomaram ontem as negociações tendo em vista a conclusão do acordo financeiro entre os dois Estados. As negociações, paradas há um ano por causa das divergências em torno da escalada da violência na região, acontece poucos dias depois do 10º aniversário do “Acordo Fundamental”, assinado pelas duas partes a 15 de Junho de 1994, que inclui temas tão delicados como os vistos de residência de eclesiásticos e a custódia dos bens da Igreja em Israel. O atraso nas negociações sobre a parte financeira do acordo de 1994 tem sido uma fonte de tensões entre o Vaticano e Israel. No passado dia 4 de Maio, o embaixador de Israel comunicou à Secretaria de Estado do Vaticano a intenção do seu Governo de retomar o diálogo, para se chegar a um acordo até Dezembro de 2005. O que está em questão, com este acordo, é a continuidade e o desenvolvimento das comunidades cristãs na Terra Santa, mormente a isenção fiscal para as congregações e instituições religiosas. Outro ponto de tensões tem sido a negação de renovação dos vistos aos religiosos católicos, por parte das autoridades israelitas. A Igreja na Terra Santa corre o risco de não ter pessoal suficiente para manter em funcionamento santuários, paróquias, hospitais, escolas. Não menos grave é a questão do “Muro de Segurança” erguido por Israel na Cisjordânia, que segundo o Vaticano é uma “violação permanente do Acordo Fundamental” por ter expropriado ou dividido propriedades das Congregações Religiosas. A delegação vaticana foi presidida em Jerusalém por Do.Gianfranco Gallone, Primeiro secretário da Nunciatura Apostólica em Israel, enquanto que a delegação israelita foi liderada por Gadi Golan, chefe do Departamento de Assuntos religiosos da chanceleria.
