Vaticano: «Deixemo-nos encontrar pela misericórdia de Deus», pede o Papa

Reflexão escrita para a audiência geral evoca encontro entre Jesus e Zaqueu, com «lugar especial» no coração de Francisco

Foto: Vatican News

Cidade do Vaticano, 03 abr 2025 (Ecclesia) – O Papa destacou a importância de procurar a “misericórdia de Deus”, num texto divulgado hoje pelo Vaticano, em que reflete sobre o encontro entre Jesus e Zaqueu, relatado pelo Evangelho de São Lucas.

“Cultivemos o nosso desejo de ver Jesus e, sobretudo, deixemo-nos encontrar pela misericórdia de Deus, que vem sempre à nossa procura, independentemente da situação em que nos perdemos”, refere a reflexão preparada para a audiência pública semanal.

Os encontros de quarta-feira, com peregrinos de todo o mundo, estão suspensos há sete semanas, devido aos problemas de saúde de Francisco; a catequese preparada para a audiência geral tem sido distribuída por escrito, pela sala de imprensa da Santa Sé.

O Papa assume que o episódio do encontro entre Jesus e Zaqueu lhe é “particularmente caro”, porque ocupa um “lugar especial” no seu caminho espiritual.

“O Evangelho de Lucas apresenta-nos Zaqueu como alguém que parece irremediavelmente perdido. Talvez também nós nos sintamos às vezes assim: sem esperança. Zaqueu, pelo contrário, descobrirá que o Senhor já estava à sua procura”, escreve.

Com efeito, Jesus desceu a Jericó, cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do submundo, onde Jesus quer ir procurar aqueles que se sentem perdidos. E, na realidade, o Senhor Ressuscitado continua a descer aos submundos de hoje, aos lugares de guerra, à dor dos inocentes, ao coração das mães que veem morrer os seus filhos, à fome dos pobres”.

Zaqueu, recorda o Papa, era um publicano, ou seja, “alguém que cobra os impostos dos seus concidadãos para os invasores romanos”, alguém rico, que o relato de Lucas deixa “intuir que enriqueceu à custa dos outros, abusando da sua posição”.

“Tudo isto tem consequências: provavelmente Zaqueu sente-se excluído, desprezado por todos. Quando descobre que Jesus está de passagem pela cidade, Zaqueu sente o desejo de o ver. Não ousa imaginar um encontro, limita-se a fitá-lo de longe”, indica Francisco.

Quando temos um desejo forte, não desanimamos. Encontramos uma solução. Mas é preciso ser corajoso, não ter vergonha; é necessário ter um pouco da simplicidade das crianças, não se preocupar demasiado com a própria imagem. Precisamente como uma criança, Zaqueu sobe a uma árvore”.

O Papa realça que, com Jesus, “acontece sempre o inesperado”, tendo pedido a Zaqueu para ficar na sua casa.

“Lucas põe em evidência a alegria do coração de Zaqueu. É a alegria de quem se sente visto, reconhecido e, sobretudo, perdoado. O olhar de Jesus não é de repreensão, mas de misericórdia. É a misericórdia que, às vezes, temos dificuldade de aceitar, principalmente quando Deus perdoa àqueles que, na nossa opinião, não o merecem”, observa.

Francisco destaca que, após o encontro, o anfitrião se levantou “para assumir um compromisso, devolver o quádruplo do que roubou”.

“Caros irmãos e irmãs, aprendamos com Zaqueu a não perder a esperança, nem sequer quando nos sentimos rejeitados ou incapazes de mudar”, conclui o Papa.

O Papa regressou no dia 23 de março à Casa de Santa Marta, no Vaticano, onde se encontra em convalescença, após o maior internamento do atual pontificado, iniciado a 14 de fevereiro, no Hospital Gemelli, na sequência de uma infeção polimicrobiana das vias respiratórias, que se agravou para uma pneumonia bilateral.

OC

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