Vaticano critica o Fundo de População das Nações Unidas

O cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, criticou duramente o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) por considerar que este promove o aborto “mesmo contra os tratados internacionais”. Para o antigo representante da Santa Sé junto da ONU, os governos nacionais “têm o dever de denunciar estas violações”. O Cardeal Martino somou a sua voz à do arcebispo Silvano Tomasi, observador da Santa Sé junto da ONU em Genebra, após a apresentação do relatório anual da UNFPA, que aconteceu esta quarta-feira. O documento vê no aumento dos nascimentos o obstáculo principal para o desenvolvimento e para o meio ambiente. Desde 1994, quando aconteceu a Conferência internacional sobre população e desenvolvimento no Cairo, líderes da UNFPA e de outras agências da ONU utilizaram dados demográficos para justificar a aplicação do aborto no mundo. “Os governos têm o dever de denunciar o UNFPA e as outras agências da ONU que violam o Plano de Acção assinado no Cairo ao promover o aborto”, afirmou o cardeal Renato Martino, que durante dezasseis anos foi núncio apostólico na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Em declarações à revista do Centro Europeu de Estudos sobre População, Ambiente e Desenvolvimento, o cardeal italiano recorda que no Cairo a Santa Sé formou uma frente junto com outros quarenta países “para bloquear o intento de introduzir pela primeira vez, num documento internacional, o direito ao aborto”. “O artigo 8.25 do Plano de Acção aprovado afirma explicitamente que o aborto em nenhum caso deve ser considerado um meio de planificação familiar”, lembra. Por seu lado, o arcebispo Tomasi, referiu que os países subdesenvolvidos “não necessariamente estão superpovoados. “O recurso mais importante para o desenvolvimento é a criatividade das pessoas: a experiência demonstra que uma população envelhecida e conservadora é incapaz de inovar, de crescer”, vincou.

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