O arcebispo Giovanni Lajolo, responsável pelas relações da Santa Sé com os Estados, criticou novamente a ausência de uma referência às raízes cristãs da Europa no Tratado Constitucional da UE hoje assinado em Roma. “A menção das raízes cristãs da Europa no preâmbulo do Tratado Constitucional era vivamente desejada por numerosos cidadãos deste Continente, católicos, ortodoxos e protestantes”, disse D. Lajolo ao jornal La Stampa. O “ministro dos negócios estrangeiros” da Santa Sé mostrou-se surpreendido com “a miopia cultural: falar das raízes cristãs não significa um limite ideológico, mas a memória de um fermento produzido na história da Europa e, a partir da Europa, difundido em todo o mundo”. Na entrevista, o arcebispo Lajolo deixou claro que a Santa Sé não se opõe à adesão da Turquia, “desde que responda a todos os critérios da Cimeira de Copenhaga, em 2002” e que não tem medo do alargamento da Europa. Ontem, o Papa recebeu no Vaticano o presidente em exercício da Comissão Europeia, Romano Prodi, a quem lembrou a importância do Cristianismo na construção da Europa. Prodi encontrou-se ainda com o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano e com D. Lajolo, com quem falou sobre a unidade europeia e o papel internacional da Europa, de acordo com o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls. Os 25 chefes de Governo da União Europeia assinaram esta manhã o Tratado Constitucional, na Sala Júlio César, onde, em 1957 foi assinado pelos seis países fundadores o Tratado de Roma, que deu origem à Comunidade Económica Europeia (CEE).
