Vaticano: Consistório «sinodal» reforça corresponsabilidade, com Papa a tomar notas num caderno

Cardeais descrevem ambiente de «harmonia» na reunião, onde Leão XIV «ouviu mais do que falou» e prometeu continuar o processo de escuta

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 08 jan 2026 (Ecclesia) – O primeiro Consistório do pontificado de Leão XIV ficou marcado por uma metodologia de “conversação no Espírito”, com os cardeais a destacarem a postura de escuta do Papa e o reforço da corresponsabilidade na vida da Igreja.

“Foi revigorante ver que o Santo Padre ouviu mais do que falou. Ele veio com um caderno e tomava notas, estava muito atento”, relatou o cardeal Pablo David, das Filipinas, durante a conferência de imprensa final, esta noite, no Vaticano.

Para o bispo de Kalookan, o formato dos trabalhos permitiu combater o clericalismo, identificado como um dos “obstáculos na Igreja”.

“Não somos Igreja se não estivermos em missão. Os ordenados não têm o monopólio de agir in persona Christi [na pessoa de Cristo]; os leigos, em virtude do batismo, podem ser capacitados para participar na vida e na missão”, defendeu.

O cardeal Luis José Rueda, de Bogotá, indicou por sua vez que a decisão de realizar um novo Consistório em junho e de manter a periodicidade anual foi uma “iniciativa do Santo Padre, que surgiu espontaneamente” no final do encontro.

“No seu coração está este processo de continuar a fortalecer a comunhão missionária. Nestes pequenos círculos há autocrítica, diferentes posições, mas vai-se conseguindo encontrar a harmonia, que não é uniformidade”, explicou o arcebispo colombiano.

O cardeal sul-africano Stephen Brislin destacou a importância de os cardeais “se conhecerem e ouvirem uns aos outros”.

“Houve diferentes ideias expressas, às vezes contrárias, mas isso não afetou a unidade. O espírito era muito otimista e não me lembro de nenhuma crítica feita ao Papa Francisco; pelo contrário, foi uma continuação”, assegurou o arcebispo de Joanesburgo.

Os responsáveis sublinharam ainda que a sinodalidade “não é um programa ou um evento, mas uma forma de ser Igreja”, que exige tempo e uma “disposição” para cultivar novas relações.

Após a Missa presidida pelo Papa, esta manhã, os cerca de 170 cardeais presentes estiveram reunidos em duas sessões de trabalhos, que se focaram nos temas da sinodalidade e da evangelização, escolhidos na tarde de quarta-feira, primeiro dia do encontro.

Este Consistório extraordinário aconteceu oito meses após o Conclave de 2025, que escolheu Leão XIV, no qual estiveram quatro portugueses: D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa; D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima; D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação; e D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal.

O Colégio Cardinalício conta atualmente com 245 membros (122 eleitores e 123 com mais de 80 anos), de 92 países.

OC

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