Vaticano considera legalização do casamento homossexual como «derrota da humanidade»

A polémica em torno da legalização dos casamentos homossexuais em Espanha continua na ordem do dia no Vaticano, com o jornal “L’Osservatore Romano” a qualificar a medida como “uma derrota da humanidade”. O jornal do Vaticano afirma, na sau edição dominical, que a oposição da Igreja católica a esta iniciativa não é uma “guerra de religião”, pois a família não é algo imposto pela Igreja, “mas um património das grandes culturas”. “Causa incredulidade e amargura o tom triunfalista com os que alguns políticos e intelectuais ‘progressistas’ comentaram a lei que legaliza as uniões homossexuais, equiparando-as ao matrimónio heterossexual”, diz o artigo. “Não só os crentes, mas qualquer pessoa com senso comum, livre do preconceito, não pode deixar de reconhecer neste acto uma derrota da humanidade”, afirma “L’Osservatore Romano”. O jornal ataca duramente os “políticos iluminados” e o que classifica como “o seu séquito de complacentes maître à penser”, assinalando que “a família, fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, não é uma invenção dos católicos”. “A dignidade cristã do matrimónio, em vez de diminuir o valor profundamente humano, consolida-o e o reforça. Por isso, qualquer tentativa de tocar o projecto de Deus sobre a família é também uma tentativa de desfigurar o rosto mais autêntico da humanidade”, sublinha. A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) foi a primeira a reagir à aprovação pelo Parlamento espanhol da lei que permite aos homossexuais casarem e beneficiarem de todos os direitos associados, incluindo a adopção de crianças. “As leis espanholas que regulam o matrimónio tornaram-se radicalmente injustas”, atiraram os Bispos, no próprio dia 30 de Junho. “É necessário opor-se a estas leis injustas por todos os meios legítimos que o Estado de Direito coloca ao dispor dos nossos cidadãos”, escrevem, apelando indirectamente à objecção de consciência ao convidarem os fiéis a “abster-se de qualquer cumplicidade com a injustiça”. A Igreja já tinha admitido anteriormente a possibilidade de os funcionários das câmaras municipais e registos civis invocarem a objecção de consciência para não celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Com a votação da passada quinta-feira, em que 187 deputados foram a favor da lei do matrimónio homossexual e 147 contra, a Espanha tornou-se no terceiro país europeu e quarto no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois da Holanda, Bélgica e Canadá. “É singular que um Estado que se proclame ‘laico’ e ‘liberal’ pretenda impor o próprio sistema ideológico sobre uma realidade tão complexa”, indica o jornal do Vaticano “É enganador apelar à ‘tolerância’ ou à ‘não discriminação’ para renegar e tocar a elementar verdade sobre as relações humanas. Não há que abdicar nunca da verdade. Se as palavras têm sentido, há que continuar a as coisas por seu nome”, aponta o periódico.

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