Texto evoca Credo, que sublinha divindade de Jesus, e apela à profissão de fé junto dos «mais pequeninos e vulneráveis»

Cidade do Vaticano, 03 abr 2025 (Ecclesia) – A Comissão Teológica Internacional, organismo ligado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, publicou hoje um documento sobre os 1700 anos do Concílio Ecuménico de Niceia, evocando a declaração de fé saída deste encontro de Bispos que sublinha a divindade de Jesus.
“Anunciar Jesus, nossa Salvação, com base na fé expressa em Niceia, é estar particularmente atento aos mais pequeninos e vulneráveis dos nossos irmãos e irmãs. A nova luz que Cristo, o Filho homoousios (consubstancial) do Pai que partilha a natureza humana comum, lança sobre a fraternidade entre todos os membros da família humana ilumina de modo particular os que mais precisam da esperança da graça”, refere o documento, enviado hoje aos jornalistas.
“Estamos ligados por um laço radical e indestrutível a todos os que sofrem e são excluídos; todos somos chamados a trabalhar para que a salvação chegue a eles em especial”, acrescenta.
O Concílio de Niceia teve a missão de preservar a unidade da Igreja, perante correntes teológicas que negavam a plena divindade de Jesus Cristo e a sua igualdade com o Pai, reunindo cerca de 300 bispos, convocados pelo imperador Constantino, a 20 de maio de 325.
Os participantes acabaram por definir o ‘Símbolo de fé’, o Credo, que ainda hoje se professa nas celebrações eucarísticas dominicais.
O documento ‘Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador’, da Comissão Teológica Internacional (CTI), evoca o “primeiro Concílio ecuménico da história”.
“Dele veio o Credo que, completado pelo Concílio de Constantinopla de 381, tornou-se a carta de identidade da fé em Jesus Cristo professada pela Igreja”, sublinha a CTI.
O aniversário acontece num ano de Jubileu, convocado pelo Papa Francisco e centrado sobre o tema da esperança; em 2025 regista-se ainda a coincidência da data da Páscoa para todos os cristãos, no Oriente e no Ocidente.
“Como sublinhou Papa Francisco, num momento histórico como aquele que vivemos, marcado pela tragédia da guerra e por inumeráveis inquietudes e incertezas, o essencial para os cristãos, a coisa mais bela, a mais atraente e ao mesmo tempo a mais necessária, é propriamente a fé em Jesus Cristo proclamada em Niceia”, indica a nota divulgada pelo Vaticano.
Segundo os responsáveis do CTI, o objetivo do documento “não é apenas reevocar o teor e o significado do Concílio [de Niceia], sem dúvida de capital importância na história da Igreja, mas trazer à luz os extraordinários recursos que o Credo, desde então e até hoje professado, conserva e relança na perspetiva da nova etapa da evangelização que a Igreja é chamada a viver”.
A fé professada em Niceia abre o olhar para a novidade impelente e permanente acontecida com a vinda do Filho de Deus entre nós e leva a alargar o coração e a mente para acolher e transmitir o dom deste olhar decisivo sobre o sentido e sobre o destino da história”.
‘Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador’ que promover uma “nova consciência a participação na vida litúrgica e a formação à inteligência e à experiência da fé” das comunidades católicas, “estimulando e orientando o empenho cultural e social dos cristãos neste desafiante momento”.
“Em Niceia, pela primeira vez, a unidade e a missão da Igreja foram expressas de modo emblemático a nível universal (daqui a sua qualificação de Concílio ecuménico) na forma sinodal daquele caminhar juntos que lhe é própria, constituindo-se assim como um ponto de referência e de inspiração importante no processo sinodal em que a Igreja Católica está hoje mergulhada”, refere a CTI.
O 1700° aniversário do Concílio Ecuménico de Niceia Portanto vai promover a 20 de maio, em Roma – Auditorium São João Paulo II da Universidade Pontifícia Urbaniana – uma jornada de estudo sobre o novo documento.
O Concílio de Niceia abordou ainda a data da celebração da Páscoa.
Na bula de convocação do Jubileu 2025, o Papa Francisco convidou as Igrejas cristãs a definir uma data comum para a Páscoa, destacando que este 1700.º aniversário “constitui também um convite a todas as Igrejas e comunidades eclesiais para avançarem rumo à unidade visível, não se cansando de procurar formas apropriadas para corresponder plenamente à oração de Jesus”.
OC
Composto por 124 pontos, o documento é o resultado da decisão da CTI de aprofundar durante um estudo sobre a atualidade dogmática de Niceia.
O trabalho foi conduzido por uma subcomissão presidida pelo padre francês Philippe Vallin e composta pelos bispos Antonio Luiz Catelan Ferreira e Etienne Vetö, pelos padres Mario Angel Flores Ramos, Gaby Alfred Hachem e Karl-Heinz Menke, e pelas professoras Marianne Schlosser e Robin Darling Young. O texto foi votado e aprovado por unanimidade em 2024 e, em seguida, submetido à aprovação do cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé; depois de receber a aprovação do Papa Francisco, a 16 de dezembro, o cardeal argentino autorizou a sua publicação. |