Secretário de Estado diz que Santa Sé está a avaliar a adesão à iniciativa norte-americana e pede respeito pelo direito internacional

Roma, 21 jan 2026 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano confirmou hoje que o Papa recebeu um convite da administração Trump para integrar o “Conselho de Paz sobre Gaza”, adiantando que a Santa Sé está a avaliar o assunto antes de dar uma resposta.
“Nós também recebemos o convite para o Conselho de Paz para Gaza, o Papa recebeu-o e estamos a ver o que fazer, estamos a aprofundar, creio que é uma questão que exige algum tempo para ser considerada”, disse o cardeal Pietro Parolin aos jornalistas, em Roma.
Segundo a Casa Branca, o Conselho de Paz foi concebido para supervisionar o plano que pretende pôr fim ao conflito de Israel contra Gaza e para garantir, no futuro, a segurança e a desmilitarização desse território palestiniano.
Vários países e organismos internacionais, entre eles a União Europeia, receberam convite para participar no Conselho de Paz, ao qual já confirmaram que se juntarão Alemanha, Argentina, Paraguai, Catar, Emirados Árabes Unidos ou Bielorrússia, entre outros.
O cardeal Parolin esclareceu que a eventual participação da Santa Sé não seria de natureza financeira.
“Nem sequer estamos em condições de o fazer, mas evidentemente estamos numa situação diferente em relação aos outros países”, precisou, em declarações citadas pelo portal ‘Vatican News’.
O Vaticano é defensor da solução de dois Estados, para superar o conflito entre Israel e Palestina.
Respondendo a uma questão relativamente às críticas de Donald Trump sobre a direção que a Europa está a tomar, o secretário de Estado do Vaticano considerou que é necessário “respeitar o direito internacional”.
“Acredito que isso é o importante, além dos sentimentos pessoais, que são legítimos, mas é preciso respeitar as regras da comunidade internacional”, indicou, à saída de um encontro promovido pelo Observatório para o Pensamento Independente, na capital italiana.
Para o cardeal Parolin, as tensões com a Europa que marcaram o primeiro ano deste novo mandato de Trump “não são saudáveis”.
As tensões não são saudáveis e criam um clima que agrava a situação internacional, que já é grave por si só. Acredito que o importante seria eliminar as tensões, discutir os pontos controversos, mas sem entrar em polémicas.”
Na conclusão do evento, dedicado ao tema ‘Um diálogo internacional para conectar os jovens ao futuro’, o cardeal Parolin abordou ainda a questão da liberdade de imprensa, defendendo um “uso responsável” dos media que procure “construir e não polarizar ou destruir”.
OC
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