Vaticano: Cardeais escolhem sinodalidade e evangelização como prioridades para primeiro Consistório com Leão XIV

Papa assumiu «necessidade de contar» com os seus conselheiros

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 08 jan 2026 (Ecclesia) – O Colégio Cardinalício, reunido no Vaticano para o primeiro Consistório extraordinário do pontificado de Leão XIV, elegeu esta quarta-feira a “Sinodalidade” e a “Evangelização” como os temas prioritários para a reflexão que termina hoje.

Segundo adianta o portal de notícias do Vaticano, a escolha foi feita por “clara maioria” entre os cerca de 170 cardeais presentes, que tinham como opções de trabalho uma lista de quatro temas, incluindo também a Liturgia e a reforma da Cúria Romana.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, explicou que a seleção de dois temas se deveu à necessidade de garantir um “melhor aprofundamento” no curto espaço de tempo do encontro.

“O Papa recebeu a indicação de uma urgência ou da necessidade percebida de alguns temas. Encontrar-se-á a forma de os abordar no âmbito dos outros”, referiu o porta-voz aos jornalistas.

A primeira tarde de trabalhos, à porta fechada, foi marcada pela aplicação prática do método sinodal.

Após uma introdução espiritual na Sala do Sínodo, com a meditação do cardeal Timothy Radcliffe, os cardeais dividiram-se em 20 grupos linguísticos no Auditório Paulo VI.

Sentados em mesas circulares, os conselheiros do Papa seguiram a metodologia da “conversação no Espírito”, com intervenções curtas de três minutos, replicando o estilo das últimas assembleias sinodais.

Leão XIV, que não participou nos trabalhos de grupo para permitir maior liberdade de discussão, regressou à Aula Paulo VI para ouvir os relatórios finais.

No encerramento do dia, o pontífice reforçou o seu desejo de uma governação partilhada.

“Sinto a necessidade de contar com vocês. Vocês chamaram este servo para esta missão, é importante que discirnamos juntos”, afirmou o Papa, pedindo aos cardeais confidencialidade sobre os debates internos, para garantir mais liberdade nas discuessões.

Foto: Vatican Media

Leão XIV reiterou que o objetivo deste Consistório não é a redação de um documento final, mas sim a consolidação de um estilo de governo colegial.

“O caminho é tão importante quanto a conclusão”, defendeu Leão XIV, insistindo na urgência de uma “Igreja missionária” que saiba questionar se “há vida” nas suas comunidades.

“A razão de ser da Igreja não é para os cardeais, nem para os bispos, nem para o clero. A razão de ser é anunciar o Evangelho”, declarou o pontífice.

Num discurso marcado pela gratidão e pela proximidade, o Papa reagiu à escolha do Colégio Cardinalício, que elegeu os temas da sinodalidade e da evangelização como as prioridades para este encontro. Para Leão XIV, estes dois eixos são indissociáveis na busca de como ser “uma Igreja missionária no mundo de hoje”.

“Queremos ser uma Igreja que não olha apenas para si mesma, que olha mais além, para os outros”, frisou, destacando que o objetivo é anunciar o “querigma” (o anúncio essencial da fé) com “Cristo no centro”.

Os trabalhos prosseguem esta quinta-feira, começando com a celebração da Missa no Altar da Cátedra de São Pedro, presidida pelo Papa e concelebrada pelos cardeais.

Seguem-se mais duas sessões de reflexão (manhã e tarde) para concluir o debate sobre os temas escolhidos.

Este Consistório extraordinário acontece oito meses após o Conclave de 2025, que escolheu Leão XIV, no qual estiveram quatro portugueses: D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa; D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima; D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação; e D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal.

O Colégio Cardinalício conta atualmente com 245 membros (122 eleitores e 123 com mais de 80 anos), de 92 países.

OC

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