Vaticano ataca «religião da saúde»

Valor da qualidade de vida não justifica práticas como a eutanásia, o eugenismo e o aborto, diz a Academia Pontifícia para a Vida O Vaticano alertou hoje para as mudanças efectuadas em torno dos termos “qualidade de vida” e “ética da saúde”, criticando o que considera ser o surgimento de uma “religião da saúde” que justifica práticas como a eutanásia, o eugenismo e o aborto. A posição foi assumida esta manhã pela Academia Pontifícia para a Vida, ao apresentar aos jornalistas a próxima assembleia geral do organismo, que será dedicada ao tema “Qualidade de vida e ética da saúde”. O evento decorrerá de 21 a 23 deste mês, sendo os dois primeiros dias abertos ao público e o último reservado aos membros da Academia. Na conferência de imprensa estiveram presentes D. Elio Sgreccia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, e três especialistas, membros da Academia: Manfred Lutz, psiquiatra; Maurizio Faggioni, teólogo da área da moral; Jean Marie Le Mené, magistrado. O presidente da Academia Pontifícia frisou na sua intervenção que “a saúde é um bem importante, mas não pode ser considerada como um bem absoluto”. D. Elio Sgreccia criticou as concepções de qualidade de vida que consideram que “quando não se atinge um nível aceitável, a própria vida perde valor e não merece ser vivida”. A preocupação com esta concepção reside no facto de, para o Vaticano, se estarem a abrir as portas à eutanásia e ao eugenismo. “Desde que a OMS definiu a saúde como o completo bem-estar de natureza física, psíquica e social, este valor tornou-se utópico e mítico, induzindo a um conceito de bem-estar hedonístico e, muitas vezes, com significações que acabam por ser letais, como no caso do aborto”, acrescentou. O prelado apresentou três factores como causas fundamentais dessa viragem conceptual: o emergir da filosofia utilitarista; o secularismo ético e o indeferentismo, no âmbito cultural; a perseguição, como fim da política mundial, do bem-estar social e económico. Manfred Lütz, por seu lado, denunciou o surgimento da “religião da saúde”, a nível internacional, referindo que “se a saúde representa o valor máximo, apenas o homem são representa o verdadeiro homem”. “O doente incurável ou crónico, a pessoa com deficiência, todos eles são colocados na sombra desta sociedade”, acusou. Durante a conferência de imprensa, D. Sgreccia reafirmou a posição da Santa Sé relativamente ao uso do preservativo para combater a difusão da Sida, explicando que “a castidade e a fidelidade conjugal são as melhores vias para combater esta pandemia”.

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