O jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, dedica a sua primeira página de hoje à crise alimentar no Níger, Burkina Faso, Mauritânia e Mali, fazendo eco do alerta lançado pela ONU. O artigo fala numa “dramática emergência” e avisa que a ameaça da fome é cada vez maior, agravada pelo “duplo flagelo da seca e dos gafanhotos”. As Nações Unidas acreditam que possam enfrentar esta emergência alimentar – que atinge um milhão e duzentos mil pessoas – até Setembro, mas, advertem, como recorda o Osservatore Romano”, que estes dados podem ser parciais. Ainda ontem, o coordenador das ajudas de emergência da ONU, Jan Egeland, explicava que a capacidade de resposta apenas diz respeito a um terço das exigências no terreno. A Confederação mundial da Cáritas, “Caritas Internationalis” deu voz aos pedidos de ajuda vindos do Níger, assegurando que a grave crise alimentar pode levar a que 3,6 milhões de pessoas venham a morrer por causa da fome e das epidemias. No Mali, há um milhão de pessoas a necessitar de ajuda alimentar para sobreviver e fontes da ONU assinalam que no norte do país a mortalidade infantil chegou a níveis sem precedentes. No Burkina Faso cerca de 500 mil pessoas estão privadas de alimento e as populações abandonam as aldeias numa “busca desesperada” de qualquer coisa para comer. Situação análoga vive-se na Mauritânia, estando em risco ainda outros países da África subsaariana.
