Unidade dos Cristãos, da utopia à realidade

Ao longo dos últimos dias, as Igrejas e comunidades eclesiais de todo o mundo estiveram empenhados numa Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Apesar de ao longo da história, a fé em Cristo ter aparecido em determinadas circunstâncias como facto de separação, a oração em comum permite vislumbrar as capacidades que um caminho conjunto tem para todos os que acreditam em Jesus como o Salvador. Nas últimas décadas, o caminho ecuménico tem apagado feridas e sublinhado os pontos de contacto. Além desta iniciativa, que milhões de pessoas celebraram de 18 a 25 de Janeiro, muitas outras actividades procuram passar para o concreto o anseio comum da unidade. Entre as dinâmicas inter-confessionais, destaca-se no nosso país o Fórum Ecuménico Jovem, que anualmente congrega centenas de membros de quatro Igrejas: a Católica, a Lusitana, a Metodista e a Presbiteriana. Estas iniciativas nasceram da necessidade de se concretizar o dinamismo surgido da II Assembleia Ecuménica Europeia, que decorreu em Graz, no ano de 1997. A construção do ecumenismo no mundo jovem foi mesmo um dos pontos referidos pelo Papa em 2005, ao longo desta semana de oração, convidando-os “a prolongar durante todo o ano o compromisso ecuménico, e a tornar-se em todos os lugares instrumentos e testemunhas da plena comunhão”. Ao programa ECCLESIA, João Luís confessa que a experiência de trabalhar com várias Igrejas foi “muito diferente”. “No trabalho com os jovens há a vantagem de não haver, na memória, uma série de pesos históricos, e por isso vemos uma grande abertura e uma participação cada vez maior”, assinala. João Luís considera que o trabalho ecuménico em Portugal ainda se ressente do facto de a Igreja Católica ser muito maioritária, “reduzindo a visibilidade das outras vivências cristãs” e apagando a sensação de divisão. Causas concretas como a paz ou o acolhimento do imigrante mostram como é possível levar o ecumenismo para além dos encontros de oração, passando por uma formação ecuménica e f uma espiritualidade aberta aos valores das outras confissões cristãs. Outra das experiências relevantes para o caminho comum das Igrejas aconteceu quando, há 8 anos, o serviço público de televisão procurou criar um espaço de televisão inter-religioso que traduzisse proporcionalmente a presença religiosa na sociedade portuguesa. Das 13 confissões que trabalharam em conjunto muitas eram cristãs, como recorda à ECCLESIA o Pe. António Rego, director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja. “Muitas vezes entre os cristãos há diferenças mínimas, mas há sobretudo muitos elementos em comum no campo social, da solidariedade, da Bíblia, mesmo com sensibilidades diferentes”, aponta.

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