União Europeia: D. Nuno Brás destaca papel «sensato» de Portugal, nos 40 anos de adesão, e pede voz «crítica» da Igreja

Vice-presidente da COMECE afirma que o país, embora periférico, consegue «fazer pontes»

Funchal, Madeira, 03 jan 2026 (ECCLESIA) – D. Nuno Brás, vice-presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), considera que Portugal mantém um papel “sensato” e de construtor de “pontes”, 40 anos após a sua integração comunitária.

“Como está fora do clube dos grandes, [Portugal] pode falar. É visto como alguém sensato, que pode ser escutado e cujo contributo serve para fazer pontes”, disse o bispo do Funchal, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A 1 de janeiro de 1986, Portugal e Espanha tornaram-se Estados-Membros das antigas Comunidades Europeias, na sequência do Tratado de Adesão assinado a 12 de junho de 1985.

O vice-presidente da COMECE sublinha que a geografia periférica e a dimensão do território favorecem uma posição de mediação.

Para D. Nuno Brás, o país compensa a menor influência económica ou política com uma vantagem estratégica: a “relação privilegiada” com o Brasil e com vários países de África.

“É muito interessante notarmos como Portugal, apesar de ser um país periférico, tem tantos dirigentes europeus”, observou, considerando que este facto comprova a relevância da diplomacia nacional.

Questionado sobre a missão da Igreja junto das instituições comunitárias, o responsável defende a manutenção de uma “voz crítica” e atenta face às decisões do Conselho, do Parlamento e dos Tribunais europeus.

“Precisamos de ser críticos e precisamos de fazer ouvir a nossa voz”, sustentou, recusando a validação automática de todas as opções dos centros de decisão política.

O bispo do Funchal explicou que a COMECE trabalha para acompanhar os processos legislativos, privilegiando o diálogo com assessores e decisores para antecipar eventuais problemas.

Nos casos em que a perspetiva católica acaba rejeitada, D. Nuno Brás assume uma postura de resiliência e perseverança.

“Faz parte da vida humana e faz parte da vida cristã sermos derrotados. É de derrota em derrota até à vitória final”, concluiu.

A COMECE é constituída por bispos delegados pelas Conferências Episcopais dos 27 Estados-membros da União Europeia, com o objetivo de acompanhar o processo político e legislativo comunitário.

A entrevista a D. Nuno Brás vai estar em destaque na emissão do Programa ECCLESIA, este domingo, pelas 06h00, na Antena 1 da rádio pública.

OC

 

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