Um mundo de tradições

O Natal é um tempo como nenhum outro, na vivência comunitária e familiar, tendo gerado um pouco por todo o mundo modos próprios de o celebrar e de lhe apreender o significado. Na tradição ortodoxa, esta quadra é apenas festejada entre os dias 6 e 7 de Janeiro. Isto porque os ortodoxos russos continuam a seguir o calendário juliano (criado por Júlio César em 46 a. C.) e não o gregoriano. A realidade, a que os portugueses já se vão habituando, surge com a vaga de imigração registada no nosso país durante os últimos anos. Tradições curiosas chegam da Europa em que vivemos: na Áustria, antes da ceia de Natal, preparada com pratos à base de peixe, o chefe da família lê a passagem do Evangelho que relata o nascimento de Jesus. A Finlândia mostra que o espírito de Natal supera todas as limitações: apesar do Inverno rigoroso, na noite da ceia de Natal, as portas das casas são deixadas abertas, para que os que passam possam entrar e sentar-se à mesa. Na Grécia não existe a tradicional árvore de Natal. O costume é enfeitar as casas com ramos de oliveira. Na Índia, os cristãos decoram pés de mangas e bananeiras para assinalar as comemorações natalícias. No interior das casas, as folhas de manga também fazem parte da decoração, assim como lâmpadas de argila, acesas com óleo. A Missa do Galo é uma realidade para os suecos, de maioria luterana, que celebram o nascimento de Jesus na manhã do dia 25. No Dia de São Nicolau as crianças escrevem os pedidos de presentes e, na noite de Natal, a filha mais velha da família, devidamente vestida de branco, com uma faixa vermelha na cintura e uma grinalda de folhas verdes e sete velas acesas, leva a cada membro da família um café com bolos. Há elementos comuns, contudo, que permitem distinguir o Natal europeu, como a centralidade da família e das crianças, num ambiente de luzes e doces levado depois para outras paragens. O hábito de distribuir presentes está profundamente enraizado: na Alemanha, o Menino Jesus faz a sua distribuição a 24 de Dezembro, no fim da tarde ou à noite, após um das Missas celebradas ao longo do dia, e a sua passagem é assinalada por uma sineta. O Pai Natal, os Reis Magos ou a bruxa “Befana”, na Itália, também tomam parte nesta tarefa, muitas vezes apagando do mapa o Menino que nasce. A França, país laico por excelência, há uma zona que se destaca, a Provença. “Le Noël Provençale” resiste à passagem do tempo e congrega as famílias, começando após a Missa do Galo, à qual se vai em procissão. Antes disso, o mais velho acende uma vela, dá três voltas à mesa acompanhado pelo mais novo, e pronuncia uma frase que se repete há séculos: “no próximo ano, se não formos mais, que também não sejamos menos”. A Coreia e a China permitem que os Pais Natal desfilem, mas castigam e proíbem a presença de Meninos Jesus. Um Natal comercial e de fachada, que esconde a perseguição aos que acreditam no nascimento de um Deus libertador.

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