Realça Alfredo Bruto da Costa num Colóquio promovido pela Comissão Justiça e Paz de Leiria
Num colóquio, organizado pela Comissão Justiça e Paz da diocese de Leiria, dia 8 de Julho, o sociólogo Alfredo Bruto da Costa afirmou que “20% da população portuguesa (cerca de 2 milhões de pessoas) podem ser considerados pobres”. A maior parte dos quais com empregos ou reformados, cabendo apenas 5% aos desempregados.
Pobreza esta que tem origens diversificadas mas a razão principal está “nos baixos salários e nas reformas precárias” – disse à Agência ECCLESIA Tomás Oliveira Dias, presidente da Comissão Justiça e Paz. “Com os salários e as pensões que nós temos, estranho seria que não tivéssemos pobreza em Portugal” – considerou o sociólogo que lamenta a reduzida qualificação dos portugueses.
A reforma da educação, visando a qualificação efectiva, dos jovens é um “factor decisivo” para combater esta pobreza estrutural que atinge um em cada cinco portugueses – sustentou Alfredo Bruto da Costa. Ao comparar o nosso país com a União Europeia, Tomás Oliveira Dias sublinha que “os portugueses abandonam o sistema educativo precocemente”. O abandono precoce em Portugal situa-se nos “45% enquanto na União Europeia está nos 19%”.
E acentua: “é o aliciamento pelo mercado de trabalho”. “Se não mexermos no nosso sistema educativo e de formação, no nosso sistema de salários e de segurança social, não é possível reduzir substancialmente a pobreza em Portugal” – alertou, salientando que a maior parte da opinião pública continua a culpar a “pouca sorte”, a “preguiça” ou a inevitabilidade do destino como causas da pobreza.
Para este investigador da Universidade Católica, a pobreza é uma questão estrutural que chega a atingir quatro gerações da mesma família – uma prova de que a “sociedade não consegue responder a este problemas”. Para além deste factor, Alfredo Bruto da Costa referiu que “temos um baixo nível cultural na faixa etária entre os 25 e 34 anos”. Ao nível de percentagem “situa-se nos 68%” – disse Tomás Oliveira Dias. Na região de Leiria, tal como noutras regiões do país, o desemprego está a aumentar. Presentemente “temos cerca de 13 mil desempregados”. E muitos destes “não têm alternativa de subsistência” – disse o presidente da Comissão Justiça e Paz.
Mavíldia Frazão, assistente social naquela cidade, realça que os habitantes daquela região também sofrem com os problemas habitacionais. “Rendas altas e quatro ou cinco famílias a viver debaixo do mesmo tecto”. Estas situações podem originar “promiscuidade e colocar em risco a moral das crianças”. A questão da pobreza é mais preocupante nos países do Sul da Europa, pelo que é necessário um esforço adicional para convencer as instâncias da União Europeia para esta realidade, que não se verifica nos países do Norte.
