O governo e as forças rebeldes no Uganda estão à beira de chegar a acordo para um cessar-fogo definitivo. Segundo o arcebispo John Baptist Odama “estão colocadas as bases para um diálogo sério no Norte do país”. Esta é a região mais afectada pela guerra civil que opõe o exército do Governo aos rebeldes do Exército de Libertação do Senhor (LRA) chefiado por um cristão fanático, Joseph Kony, continua a devastar a região habitada sobretudo pela população “acholi”. No Uganda setentrional a guerrilha do LRA – que surgiu em finais dos anos 80 – provocou mais de 100 mil mortos numa população de um milhão e 400 mil habitantes de etnia “acholi” e “lango”, e quase um milhão de desalojados que vivem em condições dramáticas devido à falta de alimentos, água e medicamentos. Por causa da guerra, terão sido raptadas mais de 20.000 crianças, além de se terem registado muitos outros actos de violência contra missionários e igrejas. Recentemente, o secretariado da ONU para os Assuntos Humanitários denunciou que o Norte do Uganda é palco de “uma desgraça humanitária de enormes proporções”. Mais de 90 por cento da população do Norte do país está fora das suas casas e terras. O arcebispo de Gulu, que preside ainda a uma iniciativa inter-religiosa pela paz, disse à agência missionária Misna que “após anos de violência e sofrimento, as populações têm finalmente uma esperança a que agarrar-se”.
