Repórter da Renascença aponta questões levantadas por nova atitude da administração norte-americana
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Lisboa, 27 fev 2025 (Ecclesia) – José Pedro Frazão, repórter da Renascença na Ucrania, afirmou que população permanece unida “contra a Rússia”, três anos depois da invasão do país, por iniciativa de Moscovo.
“Há um forte sentimento de unidade, que de resto não é novo, mas apenas se confirma e fortifica nestes momentos de efemérides, mas essa unidade em torno deste combate é evidente desde o primeiro dia, tem oscilações consoante os problemas que a Ucrânia vai sentindo ao longo desta guerra, poderemos também aqui falar, mas neste momento todos estão unidos em torno desta frente unida contra a Rússia”, disse, em entrevista ao Programa ECCLESIA, emitido hoje na RTP2.
José Pedro Frazão realça que há também “consciência aguda da fragilidade da situação para os ucranianos”.
Do ponto de vista militar “há um enorme esforço que a sociedade ucraniana tem de fazer” para manter a contenção da ofensiva russa, particularmente em determinadas regiões.
Segundo o jornalista, é notória “uma exaustão de muitas forças de combate” e a Ucrânia “já percebeu que não dá para continuar muito mais neste caminho”, acrescentando que o presidente Zelensky disse, recentemente, que a guerra “deve terminar, ou é para terminar, neste ano”.
Segundo o enviado da Renascença existe uma “linha de esperança” para que seja possível “encontrar algum entendimento que pelo menos cale as armas, que permita abrir caminho a uma paz duradoura”, mas considera necessário “que não seja uma paz injusta e, sobretudo, que não seja feita nas costas dos ucranianos”.
Com a tomada de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, o xadrez político alterou-se porque “Trump afirma-se como alguém que faz negócios, alguém que faz entendimentos e nos negócios às vezes também há uma dose de risco e há negócios que falham” e falhar “um negócio implica certamente milhares e milhares de vidas”, frisou.
Os últimos dias mostraram que a Ucrânia “não aceita que seja desvalorizada e que a paz seja feita nas suas costas, o mesmo para a União Europeia”, referiu o entrevistado.
José Pedro Frazão entender que os norte-americanos “querem desligar-se um pouco deste conflito e até da Europa, do ponto de vista militar”.
“Estará a Europa capaz de substituir os norte-americanos do ponto de vista da defesa, da segurança, nesta zona do continente europeu e, em particular, na Ucrânia? A verdade é que os americanos são essenciais para a defesa da própria Ucrânia”, observa.
Em relação ao negócio dos minerais, o jornalista da Renascença questiona: “Será que é apenas uma forma de comprar a paz por parte dos norte-americanos?”
A Europa, acrescenta, tem de “encontrar unidade e encontrar um caminho comum, um diálogo interno” que permita, efetivamente, “ter uma voz única nesta matéria”, porque “tudo isto se passa na Europa, tudo isto tem impacto na nossa vida, na inflação, na nossa segurança comum e também na conciliação com diferentes formas de viver”.
“É difícil entender com a forma como os ucranianos vão, por exemplo, dialogar com os russos, que serão sempre os seus vizinhos, no entanto a natureza mediadora da Europa pode vir, pode emergir neste momento”, refere José Pedro Frazão.
O jornalista já falou com o presidente da Conferência Episcopal Ucraniana, o qual sublinhou “a importância e a proximidade do Papa”.
D. Vitali Skomarovsky, defende que os católicos devem perdoar os inimigos, mas não desistir da justiça, ou seja, de uma paz justa.
Em entrevista à Renascença, o bispo da diocese de Lutsk, diz que a guerra provocou “perdas incalculáveis e que, em muitos casos, será difícil perdoar o agressor”.
“Não é possível continuar em frente com o ódio nos corações”, salientou.
“Os católicos ucranianos agradecem também a oração dos católicos portugueses e em particular consideram que esta guerra confirmou a relevância e a atualidade da mensagem de Fátima ao nível da conversão da Rússia” completou José Pedro Frazão.
PR/LFS/OC