Tudo para evitar a guerra

O esforço da hierarquia católica em evitar uma guerra no Iraque torna-se cada vez mais evidente, destacando-se de modo particular os repetidos apelos de oração e a actividade diplomática promovida por João Paulo II. No passado sábado, 8 de Fevereiro, o Papa vincou que é “cada vez mais urgente anunciar o Evangelho da Paz”, pedindo a multiplicação de esforços de paz que não se detenham “perante as ameaças que se alçam no horizonte”. Ao receber os sacerdotes e amigos da Comunidade de Santo Egídio, João Paulo II voltou a insistir na evitabilidade deste conflito, desde que se opte por um caminho de diálogo, esperança e reconciliação. “A paz não é uma questão de estruturas mas de pessoas. Os gestos de paz acontecem na vida das pessoas que os cultivam no seu espírito”, insistiu o Papa. Domingo, antes da oração do Angelus, João Paulo II constatou que os momentos de preocupação internacional levam os crentes a pensar que “só uma intervenção do alto pode fazer-nos esperar um futuro menos obscuro”. Por este motivo, o Papa alentou as numerosas iniciativas de paz que estão a ter lugar em diversas cidades, recomendando de modo especial a oração do Rosário. “Não se pode rezar o Rosário sem sentir-se implicados num compromisso concreto de servir a paz”, concluiu. Diplomaticamente, os esforços também se intensificam. Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé confirmou o que há algum tempo se previa: o Vaticano envia ao Iraque uma missão diplomática, com o objectivo de demonstrar o compromisso do Papa numa solução pacífica do conflito e para pedir às autoridades iraquianas uma cooperação internacional efectiva. Ontem, 10 de Fevereiro, partiu para Bagdade um dos colaboradores mais próximos de João Paulo II, o Cardeal Roger Etchegaray, presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Este Cardeal já efectuou, missões delicadas, como a última, em que se deslocou a Jerusalém por causa da ocupação da Basílica da Natividade de Belém, em Maio do ano passado. D. Etchegaray será acompanhado pelo Pe. Franco Coppola, que trabalha na Secretaria de Estado do Vaticano. A missão diplomática ontem iniciada é a face mais visível de uma série de contactos que incluíram, na sexta-feira, 7 de Fevereiro, um encontro com o Ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, onde a Santa Sé comunicou a sua posição ao país que preside, neste momento, o Conselho de Segurança da ONU. João Paulo II receberá no próximo dia 14 o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tarek Aziz e, segundo fontes da imprensa italiana, no dia 18 será a vez do próprio Kofi Annan, secretário-geral das Nações Unidas, se deslocar ao Vaticano.

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