Foi à língua inglesa que foram buscar a palavra a partir da qual girou a acção de formação: “stroukes” que em português quer dizer “toques”. Em causa estava “A importância do afecto no trato com os idosos”. Foi este o título da acção de formação promovida, no passado dia 8 de Fevereiro, pela equipa da Terceira Idade e doentes da Cáritas Diocesana de Coimbra. Foi um dia de estudo sobre a relação afectiva com os idosos na comunidade onde ganhou relevo a importância dos “stroukes”. A orientar este dia de formação o Dr. Abel Magalhães. Um homem da teologia, da filosofia e da análise transacional. Um psicólogo da área comportamental que, ao apontar para a cabeça, diz que aquilo que o seduz “é ajudar as pessoas a perceber como é que isto se forma e deforma e como é que isto se pode transformar quando não está bem”. A meio do dia de formação Abel Magalhães explicava à Ecclesia a importância dos toques no trabalho com os idosos. Para este psicólogo o toque não se reduz ao toque físico, mas o toque são todos os “estímulos transaccionais positivos que tocam o outro no sentido de desencadear nele uma aproximação”. Qualquer um deste tipo de toques tem muita importância em duas fases da vida do homem: na infância, em que a criança precisa de todos os afectos e na velhice em que o idoso já perdeu o brilho intelectual, o encanto físico e precisa mais que testemunhem a sua importância através do “contacto físico e de outros testemunhos calorosos”, afirma Abel Magalhães. Uma acção de formação dirigida a profissionais de toda a diocese de Coimbra que trabalham na área sóciocaritiva de apoio a idosos e à terceira idade. Para o formador, ela justifica-se porque a formação académica não tem desenvolvido “a área da espontaneidade e intimidade” que são áreas importantes no ser humano. Uma pessoa pode ter todos os cursos, “mas se não tem um coração sensível e não sabe lidar com essa sensbilidade” não consegue responder às necessidades destes seres humanos marcados por alguma deficiência ou em perda das suas faculdades.
