O Evangelho e a recuperação do contacto com a própria família são os caminhos que a Igreja propõe para que o toxicodependente redescubra a sua dignidade. O presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, arcebispo Javier Lozano Barragán, ilustrou assim a posição católica perante o desafio das drogas esta segunda-feira, 23 de Junho, ao intervir no congresso internacional organizado pela Federação Italiana de Comunidades Terapêuticas sobre o argumento «Cuidar do outro – A toxicodependência entre experiência e moral». O prelado mexicano, após recordar que o Papa interveio em mais de 360 ocasiões sobre o tema, explicou que «a Santa Sé propõe um programa em três pontos, baseado na prevenção, na repressão à luz de valores como a solidariedade, o amor e a transcendência». «Esses elementos que de algum modo devem ser integrados numa política dos Estados de educação à vida e num projecto de sociedade menos despersonalizada para as novas gerações», acrescentou D. Lozano Barragán. Em declarações a Radio Vaticano, o arcebispo voltou a destacar que objectivo da atenção à pessoa que vive escravizada pela droga é o de ajudá-la a «redescobrir sua própria dignidade». O “ministro da saúde” do Vaticano pediu para que se supere o preconceito, segundo o qual, os países produtores de droga são «subdesenvolvidos, de terceiro mundo, e pobres, que alimentam o consumo dos ricos e industrializados». «Se é verdade que Bolívia, Peru e Colômbia produzem 800 toneladas anuais de heroína e cocaína, também é verdade que no moderno e civilizado ocidente, a produção de anfetaminas converteu-se num grande rival das drogas mais tradicionais».
