Tiros e bombas marcam a vida em Darfur

Uma tragédia que o mundo ignora: 350.000 pessoas vão morrer nos próximos três meses A situação em Dafur, no Sudão, é cada vez mais crítica para cerca de 1 milhão de deslocados, expulsos das suas terras por milícias árabes contratadas pelo governo sudanês, em luta contra os movimentos rebeldes que exigem a autonomia da região. O Bispo católico Macram Max Gassis pede ao Governo “passos concretos para demonstrar a sua sincera vontade de paz”, lembrando que esta só é construída a partir da confiança recíproca. “As populações locais pedem a possibilidade de melhorar as suas condições de vida. Darfur, com os Montes Nuba e o sul do Nilo Azul, é o último dos últimos: há décadas que não se constrói nada. Pedimos escolas e hospitais e recebemos em troca tiros e bombas”, declara D. Gassis. O prelado, líder da Diocese de El Obeid, no sul do Sudão, disse à agência missionária do Vaticano, Fides, que “não é possível estabelecer a paz no sul do Sudão e continuar a guerra em Darfur, no Oeste do país”. “O governo, ao invés de ir ao encontro dos legítimos pedidos das gentes, atirou as milícias paramilitares e o exército contra os civis. Esta guerra coloca às nossas consciências a questão da legítima defesa diante de ataques tão violentos contra populações indefesas”, acusa. Ontem, 21 de junho, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré, conclui uma visita à região. A UA tenta uma mediação entre o governo sudanês e os dois movimentos de guerrilha em Darfur: o Exército-Movimento para a Libertação do Sudão (SLA-M) e o Movimento para a justiça e a igualdade (JEM). O Bispo nega que o conflito tenha uma conotação religiosa: “Darfur faz parte da minha diocese. Existem poucos cristãos na região, principalmente imigrantes do sul do Sudão, e essas pessoas estão a voltar para os seus locais de origem para fugir da violência”. A Pax Christi Internacional já lançou uma campanha em favor das populações de Darfur, no Sudão, pedindo às autoridades políticas que “ponha fim aos crimes contra a Humanidade e aos crimes de Guerra”. A secção portuguesa da Pax Christi pede ao Governo Português que intervenha urgentemente e com eficácia junto das instâncias internacionais no sentido de proteger as populações do Darfur, e mais precisamente para que a ONU decrete um embargo internacional ao fornecimento de armas ao Sudão, o mandato dos Observadores da União Africana seja alargado para uma componente humanitária e que esta delegação de Observadores inclua também observadores europeus e americanos que supervisionariam o respeito pelos Direitos Humanos. As previsões internacionais indicam que cerca de 350.000 pessoas vão morrer nos próximos três meses mesmo que a ajuda humanitária comece a chegar neste momento. Sem ela, poderão perder a vida cerca de um milhão de pessoas. O aumento do número de refugiados e deslocados sudaneses está mesmo a causar alarme junto das organizações humanitárias que trabalham no local. Muitos deles fugiram para o Chade, sendo já mais de 150 mil. As agências humanitárias pediram ao governo sudanês que crie um corredor humanitário em Darfur para assistir as vítimas da violência. A Caritas do Chade criou e administra três campos de acolhimento no Chade, cada um hospedando 10 mil pessoas, que aumentam a cada dia que passa.

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