Terrorismo basco preocupa a Igreja

O Arcebispo de Madrid, Cardeal Rouco Varela, reafirmou ontem que se os terroristas do grupo separatista basco ETA não se arrependerem de seu crimes, “serão excomungados”. Em entrevista ao jornal “La Razón”, o Cardeal borda os diversos desafios da Igreja no país e reitera que “um terrorista, desde o momento em que empreende suas práticas assassinas, situa-se no contexto de pecado mortal”. “Se não se arrepender das suas acções está fora da comunhão da Igreja. Sempre que se comete um pecado gravíssimo, como o terrorismo, está fora da Igreja, e nesse sentido podemos dizer que os terroristas do ETA, ao não estar em comunhão, estão excomungados”, precisou. A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) está a ultimar um novo documento sobre a “unidade da Espanha” e os nacionalismos, que será apresentado na sua próxima Assembleia Plenária de março. Sobre a escassa presença de católicos na vida pública, o Cardeal considerou evidente “que há uma descompensação. Não há um reflexo na vida pública do muito que representa o mundo católico na Espanha. E isso se deve a diversas causas históricas ou culturais”. Segundo o Cardeal, na Espanha não há uma perseguição “generalizada” contra os católicos, mas “a cultura espanhola, em muitos dos seus segmentos predominantes, não é precisamente cristã, a semelhança do que ocorre em outras sociedades europeias, que se caracterizam de novo por formas doutrinais e éticas radicalmente relativistas”. “No fundo, o que está em jogo é o fundamento mesmo da dignidade da pessoa humana e de seus direitos fundamentais que, ou se situa no plano da trascendência, ou se deteriora e derrubará mais ou menos logo”, indicou. Do mesmo modo, D. Rouco Varela abordou a polémica pela distinção com o Globo de Ouro para o filme espanhol “Mar Adentro”, que propõe como herói um homem que procurou a sua morte para livrar-se de uma doença terminal. “A concepção do direito à vida é um problema que começou a se expor há mais de duas décadas, embora se tenham manifestado com mais força nos dois últimos lustros. Relativiza-se o direito à vida, dos não nascidos até os doentes terminais. A fórmula que se segue é a de adoçar os termos, mas isto não consegue ocultar a maldade que há detrás”, apontou.

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