«Que os esforços pela paz prevaleçam sobre a violência e cessem os atos de terrorismo e de guerra»

Jerusalém, 22 jan 2026 (Ecclesia) – Os bispos do grupo de Coordenação das Conferências Episcopais a favor da Igreja Católica na Terra Santa alertam para a catástrofe humanitária em Gaza, após a peregrinação anual de proximidade, solidariedade, e apoio espiritual e pastoral às comunidades.
“Nos doze meses que se passaram desde a nossa última visita a Terra Prometida foi reduzida e posta em causa. Gaza continua a ser uma crise humanitária catastrófica, a população da Cisjordânia que encontrámos está desmoralizada e assustada”, explicam os bispos europeus e norte-americanos da Holy Land Coordination (Hlc), em comunicado citado pelo portal de notícias online do Vaticano.
“As corajosas vozes israelitas que se levantam em favor dos direitos humanos e civis estão cada vez mais ameaçadas; apoiar as vozes marginalizadas é uma solidariedade dispendiosa. Tememos que em breve também elas sejam silenciadas”, acrescentam, salientando que se encontraram com “a coragem das vozes judaicas e palestinianas”.
Os bispos do grupo de Coordenação das Conferências Episcopais a favor da Igreja Católica na Terra Santa realizaram a peregrinação entre 17 e 21 de janeiro, e estiveram também com os beduínos Mihtawish, que vivem em Khan al-Ahmar (a leste de Jerusalém), e na aldeia cristã de Taybeh, na Cisjordânia, atacada pelos colonos israelitas.
“Como cristãos, é nossa vocação e dever dar voz aos que não têm voz e testemunhar a sua dignidade, para que o mundo possa conhecer o seu sofrimento e sentir-se impulsionado a promover a justiça e a compaixão.”
A Holy Land Coordination pede à comunidade internacional e a todos os homens e mulheres de boa vontade que “estejam ao lado dos povos da Terra Santa”, reconheçam o seu “pedido de dignidade”, “ajudem a promover um diálogo autêntico entre as comunidades”, e incentivam os seus governos a “exercer pressão sobre Israel”, para que respeite a ordem internacional baseada “em regras e retome negociações significativas para uma solução de dois Estados, em benefício e segurança de todos”.
Estes bispos europeus e norte-americanos explicam que como reafirmam “o direito de Israel a existir e o direito dos israelitas a viver em paz e segurança” pedem que “esses mesmos direitos sejam garantidos a todos aqueles que estão enraizados nesta terra”, e mantêm a esperança de que “os esforços pela paz prevaleçam sobre a violência e que cessem os atos de terrorismo e de guerra”.
Na peregrinação anual à Terra Santa 2026, com o tema ‘Uma Terra de Promessas: Encontro e Diálogo com Pessoas de Esperança’, os bispos ouviram relatos, testemunhos e experiências de vida de pessoas que são forçadas a viver à margem, com a liberdade de movimento fortemente limitada, como “histórias de ataques por parte dos colonos israelitas”, e das suas contínuas “violências e intimidações, roubos de gado e demolições de propriedades”, que obrigam muitos “a não conseguir dormir à noite por medo de mais violência”, e afirmam “ninguém nos vê”.
Também a comunidade cristã da Palestina relatou “os seus sofrimentos”: “ataques intermináveis por parte de colonos extremistas, erradicação de oliveiras, confiscação de terras e atos de intimidação que tornam a vida insuportável, levando muitos à emigração em massa”.
“Foi uma peregrinação a uma terra onde as populações sofrem enormes traumas”, lamentam os bispos europeus e norte-americanos da Holy Land Coordination, no início do comunicado de imprensa final, citados pelo portal online ‘Vatican News’.
Os bispos do grupo de Coordenação das Conferências Episcopais a favor da Igreja Católica na Terra Santa na sua peregrinação anual expressam proximidade, solidariedade, apoio espiritual e pastoral às comunidades cristãs que vivem nos lugares santos, e pedem que “os esforços pela paz prevaleçam sobre a violência e cessem os atos de terrorismo e de guerra”.
“Aceitem o convite do cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém dos Latinos, para vir em peregrinação como sinal do nosso amor, apoio e solidariedade”, pedem ainda.
A visita dos bispos católicos às comunidades cristãs da Terra Santa acontece desde 1990.
CB
