D. Rui Valério expressa intenção de visitar locais atingidos pelo mau tempo e descreve o rasto de destruição pela diocese

Lisboa, 06 fev 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa manifestou hoje apreensão com os prejuízos deixados pelas tempestades que afetaram Portugal nos últimos dias, temendo o desenvolvimento de uma “crise social”.
“Qual é o meu receio? É que, para além desta crise climática, desta crise atual […] advenha também aqui uma crise social, porque não sabemos, eu estou a pensar agora em concelhos como Ourém, concretamente, não sabemos ainda quando é que a normalidade da corrente elétrica vai ser reposta”, afirmou D. Rui Valério.
Em declarações à Agência ECCLESIA e à Renascença, à margem da sessão solene do Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa (UCP) em Lisboa, o patriarca referiu que, além da falta de luz, comunicações e água, a “verdadeira preocupação” com que se debate é ao “nível dos impasses” que se estão a verificar nas empresas.
“O facto de não terem acesso àquela quantidade indispensável de energia não permite que máquinas iniciem o funcionamento. E por isso, o receio, mas lá está, somos um país, somos uma nação, existem entidades como o Estado que vêm exatamente para solucionar ou vir ao encontro destas situações”, mencionou.
O responsável católico contou que tem acompanhado a devastação pelo território nacional, provocada pelo temporal, “de uma forma bastante próxima”, até porque a sua terra Natal, Urqueira, em Ourém, “foi bastante fustigada e atingida”.
“De Lisboa, foi deslocada exatamente para a região centro uma equipa da nossa Cáritas Diocesana, que me está a pôr ao corrente, permanentemente, das necessidades, mas também das ajudas, fruto da solidariedade que tem acontecido”, explicou.
Fruto do contacto que tem com voluntários nas zonas afetadas, o patriarca de Lisboa observa que “ao nível de motivação e ao nível de força interior, está a haver uma grande resistência”.
“Hoje usa-se muito a palavra resiliência e é uma palavra que se aplica muito ali. E esta resiliência verifica-se, por exemplo, na própria solidariedade que brota da entreajuda que as pessoas estão a dar umas às outras”, referiu.
E aquilo que nós temos verificado é que, verdadeiramente, a solidariedade está em ato e está pujante” – D. Rui Valério
Questionado sobre se está a equacionar alguma visita às regiões atingidas pelas depressões Kristin e Leonardo, D. Rui Valério deu conta que, esta quinta-feira, aproveitou uma deslocação ao Norte, a Braga, para se inteirar da situação, mas que nos próximos dias irá exatamente “ao local”.
“Sobretudo ontem, ontem que foi quinta-feira, permaneci um contacto também com alguma permanência e com alguma constância com os nossos párocos, seja de Torres Vedras, seja na zona de Caldas da Rainha, seja, uma vez mais, ali na zona de Peniche, da Nazaré e também ali de Vila Franca”, relatou.
À Agência ECCLESIA e Renascença, o Patriarca de Lisboa anunciou que o destino da renúncia quaresmal 2026 do Patriarcado de Lisboa vai destinar-se às instituições e pessoas que, “de alguma forma, foram vítimas, seja da depressão, seja agora desta tempestade”.
“Como bispo, o que eu tenho a partilhar e a comunicar é que a força da fé e esta força da solidariedade, que é a força do amor, traduzida em gesto e ação, é ela que nos vai sustentar”, sublinhou.
“É ela que, não obstante tudo aquilo que possa ser levado pelo vento e pela força dos elementos, mas é isso que nos vai permitir permanecer firmes para defendermos as nossas povoações e também para defendermos aquilo que são os nossos valores”, acrescentou D. Rui Valério.
Sobre os locais no território do Patriarcado de Lisboa mais atingidos pela tempestade Kristin, o patriarca aponta a Nazaré, reportando que o salão paroquial de Stella Maris “ficou completamente derrubado” e algumas igrejas e equipamentos paroquiais “também sofreram danos avultados”.
“Depois temos o Seminário Menor de Penafirme, também houve telhas que voaram, portanto houve exposição e houve muros que de certa forma se debilitaram”, indicou, acrescentando ainda que na zona de Alcobaça há o registo de danos em igrejas.
Relativamente aos estragos provocados pela tempestade Leonardo, D. Rui Valério descreve que a zona que está a gerar mais preocupação é a paróquia de A-dos-Francos, na vigararia de Caldas da Rainha – Peniche, que, durante esta quinta-feira, “viu uma população a lutar com os níveis das águas”.
Segundo o patriarca, Torres Vedras e toda a zona ribeirinha junto ao Tejo, como Azambuja, Vila Franca e Baixa de Lisboa também foram lugares afetados.
As duas tempestades já provocaram 13 mortos e centenas de feridos além da destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, informa a Lusa.
LJ/PR
