Solidariedade: Pároco católico de Gaza alerta que «mais de dois milhões de pessoas precisam de tudo»

Padre Gabriel Romanelli quer visitar os doentes no Natal e levar presentes, como chocolate, e espera que «faça bem a todos»

Fotos: Padre Gabriel Romanelli (página oficial facebook)

Lisboa, 11 dez 2025 (Ecclesia) –  O pároco da Sagrada Família, a única paróquia católica de Gaza, na Palestina, disse que vão celebrar o Natal, e alertou que “não há sinais de reconstrução” e “mais de dois milhões de pessoas precisam de tudo”.

“O mundo deve saber que há aqui mais de dois milhões de pessoas que não têm nada e precisam de tudo”, disse o padre Gabriel Romanelli à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) Internacional, na informação enviada à Agência ECCLESIA pelo secretariado português desta organização.

A igreja da Sagrada Família é a sede da única paróquia católica na cidade palestiniana de Gaza, e para o sacerdote argentino, que vive há mais de 27 anos no Médio Oriente, “a comunidade internacional deve deixar claro que, de acordo com o direito internacional, as pessoas têm o direito de viver na sua própria terra”.

O governo israelita e o Hamas assinaram um cessar-fogo, que tem várias fases, no dia 9 de outubro de 2025, após a guerra em Gaza que foi desencadeada por um ataque deste grupo, que controla o enclave palestiniano, no sul de Israel, a 7 de outubro de 2023.

“Não há sinais de reconstrução, a falta de meios causa sofrimento e a falta de perspetivas deixa as pessoas agitadas”, lamentou o padre Gabriel Romanelli, que adiantou que “alguns” pessoas “tentaram limpar as suas casas, ou o que restou delas”, mas faltam máquinas e a maioria das infraestruturas essenciais – água corrente, sistemas de esgotos, eletricidade – está danificada.

O sacerdote do Instituto do Verbo Encarnado pediu apoio material, espiritual e moral para todos, cristãos e muçulmanos, porque “todos são humanos, sofrem na carne, na alma e no coração”, e explicou que, “desde que os combates cessaram”, o Patriarcado Latino de Jerusalém enviou “ajuda importante” e apoiaram “mais de 12 mil famílias”, outras organizações forneceram frutas, legumes e produtos básicos.

“Devemos rezar. Devemos rezar muito. Pela paz e por todos os habitantes desta Terra Santa, seja em Gaza, na Palestina ou em Israel”, acrescentou.

O responsável da única paróquia católica de Gaza assinalou também que vão celebrar o Natal, estão a “decidir o que organizar”, mas já começaram os preparativos “a ensaiar coros e ‘dabkes’ (danças coletivas palestinianas)”.

“Se as condições permitirem, talvez realizemos um pequeno espetáculo fora dos muros do nosso complexo”, explicou o padre Gabriel Romanelli, que quer também visitar os doentes, que vivem no complexo católico, como os que regressaram às suas casas e levar-lhes presentes, tem tentado obter chocolate “a qualquer custo”, na esperança de que “isso faça bem a todos”.

A fundação pontifícia AIS informa que o complexo católico em Gaza acolhe 450 pessoas deslocadas, incluindo 30 muçulmanos com deficiência e uma família muçulmana; cerca de 60 pessoas mudaram para outros alojamentos ou regressaram às suas casas, mas continuam a visitar o complexo para terem água potável e carregar os telemóveis.

Desde o início do cessar-fogo já realizaram três excursões à costa, a última, no dia 21 de novembro, levaram 130 pessoas deslocadas, entre idosos, doentes e famílias, e “crianças, entre 3 e 5 cinco anos, nascidas pouco antes da guerra, viram o oceano pela primeira vez”.

Segundo o padre Gabriel Romanelli, o ano letivo 2025-2026 começou também com turmas para 150 crianças e adolescentes deslocados, as três escolas católicas em Gaza continuam a abrigar famílias deslocadas.

Na cidade de Gaza, a Paróquia de São Porfírio (Igreja Greco-Ortodoxa) e a Paróquia da Sagrada Família (Igreja Católica) são “um refúgio para centenas de civis”, desde o início da guerra, e também foram atingidos pelos ataques das forças militares israelitas.

CB/OC

 

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