O terceiro Domingo da Quaresma de todos os anos assinala o “Dia Cáritas”, que se assinala com uma campanha de rua, a par com o peditório que se faz nas igrejas, para recolha de fundos. O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, alerta para a necessidade de a solidariedade dos cristãos se ficar por uma moeda. “A primeira proposta que se pode fazer aos cidadãos, como família, é a de ir falando aos filhos de exemplos positivos, com repercussões significativas na vida das pessoas de acções de voluntariado que conheçam ou tenham desenvolvido”, refere à Agência ECCLESIA. A importância da família na aprendizagem da solidariedade foi mesmo o tema de fundo da mensagem da Comissão Episcopal da Acção Social e Caritativa para o Dia Cáritas. Eugénio da Fonseca fala na “importância de passar o testemunho da entrega gratuita ao outros”. Vivendo numa sociedade que desconfia da generosidade e diz que “ninguém dá nada a ninguém”, as novas gerações precisam de pais que lhes abram novas perspectivas. “Não há gente mais credível para dizer aos jovens que as coisas não são assim do que os pais”, assegura. Nesse sentido, e aproveitando os dias em que a Igreja Católica convida a olhar para a Cáritas como forma concreta de exercício da solidariedade, a reflexão pode começar por perceber “aquilo que se feito pelos outros, a começar pela família mais alargada a que se pertence: os avós, os tios, aqueles que não estão assim tão longe”, esclarece o nosso entrevistado. Celebrando-se o décimo aniversário do Ano Internacional da Família, Eugénio da Fonseca lamenta que se ponha de parte do conceito de família todos os mais velhos, “um testemunho de que todos precisam”. A semana que antecede o Dia Cáritas pode ser aproveitada, de acordo com o presidente da Cáritas Portuguesa, “para que a família se disponha a estar com alguém, numa instituição ou junto de situações sociais mais delicadas, a fim de que todos possam ver com os seus olhos que o mundo é outro”. A preocupação em dar visibilidade à Cáritas passa, de acordo com este responsável, pela promoção da cultura da solidariedade. “Não nos interessa projectar a imagem da instituição, queremos que passem os valores em que acreditamos porque o protagonismo tem de ser dado aos meios”, refere Eugénio da Fonseca. A campanha dos incêndios do verão passado permitiu que a instituição fosse mais conhecida, com o presidente da Cáritas a assegurar que “o que mais impressionou as pessoas foi a forma de actuação mais leve, mais próxima, menos burocrática, para que a ajuda fosse mais eficaz.” A implementação de programas de mediação e aconselhamento matrimonial, sugerida no último conselho geral da organização, não passará pela criação de mais gabinetes ou serviços. “Vamos preparar os técnicos e voluntários que já fazem o atendimento social para lhes dar essa vertente de apoio à família”, esclarece este responsável.
