Iniciativa inspira-se em proposta do Papa Francisco, para o Jubileu 2025
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Roma, 16 fev 2025 (Ecclesia) – 124 líderes religiosos enviaram uma carta aos ministros das Finanças do G20, pedindo o fim da “crise da dívida” que está a comprometer a luta contra a pobreza e a ação climática.
“Como líderes religiosos, estamos profundamente preocupados com o impacto que a atual crise da dívida está a ter na vida dos mais pobres e mais vulneráveis em todo o mundo”, referem os signatários.
O documento, divulgada hoje pela confederação internacional da Cáritas, inspira-se no apelo do Papa Francisco, para o Jubileu 2025, pedindo um perdão global da dívida dos países mais pobres.
Os líderes religiosos afirmam que o ‘Quadro Comum’ criado pelo G20 em 2020, para reestruturar as dívidas dos países de baixo rendimento atingidos pelo choque económico da pandemia, “não está a conseguir produzir os acordos atempados e adequados dos quais dependem milhões de vidas e meios de subsistência”.
“As reestruturações da dívida ao abrigo do [quadro comum] demoram três vezes mais tempo do que os processos anteriores, enquanto os credores privados – atualmente o maior grupo credor a nível mundial – conseguem atrasar as negociações e exigir reembolsos mais elevados do que os países devedores podem suportar”, advertem.
A carta identifica como elemento crítico o facto de os credores privados poderem “atrasar as negociações” com os países de baixo rendimento, deixando os governos a gastar mais em dívidas “do que em saúde, educação ou medidas climáticas que salvam vidas”.
O documento assinado por cardeais e bispos católicos, líderes de comunidades cristãs e representantes de várias religiões, insta os ministros das Finanças do G20, reunidos em Joanesburgo entre 26 e 27 de fevereiro, a encarnarem a “prática bíblica da justiça, da misericórdia e da reconciliação”, estabelecendo um “sistema de dívida global justo e funcional”.
Os líderes religiosos pedem que os credores privados “participem no cancelamento da dívida e suspendam os pagamentos aos credores privados durante as negociações”.
A carta evoca o Jubileu que a Igreja Católica está a celebrar em 2025, apresentando-o como oportunidade de agir com “coragem, solidariedade e compaixão”.
No âmbito do Ano Santo, a Cáritas Internacional tinha lançado a petição ‘#TurnDebtIntoHope’ (Transformar a dívida em esperança), de forma a enviar uma mensagem clara e unida aos líderes globais, credores e tomadores de decisão para agirem com coragem e compaixão.
“Esta petição global carrega um apelo consistente à justiça da dívida, ao mesmo tempo que reconhece as realidades únicas das comunidades regionais, nacionais e locais”, indica a organização católica de solidariedade e ação humanitária.
OC
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