João Paulo II manifestou hoje a sua preocupação pela situação social e política na Venezuela, assegurando que a terá presente “na minha próxima viagem a Lourdes”. “Ao saudar os peregrinos da América Latina, lembro hoje de modo particular a Venezuela, pedindo ao Senhor que abençoe e ilumine todos os seus cidadãos, concedendo-lhes um futuro aberto ao progresso e à esperança”, disse o Papa, na sua audiência geral desta manhã, em Castel Gandolfo. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também se mostrou atento ao desenrolar dos acontecimentos, assegurando que “o compromisso da ONU em apoiar os venezuelanos na busca de uma solução constitucional e democrática para as suas divergências políticas”. A poucos dias do referendo revogatório que vai ditar o futuro da Venezuela, as forças entre o “sim” e o “não” continuam a confrontar-se de maneira violenta. A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) publicou para esta ocasião um documento onde pede a todos os cidadãos do país que participem no próximo referendo revogatório do mandato presidencial, a 15 de Agosto, lembrando que este é um dever “de consciência e responsabilidade”. “O referendo é um direito, não uma dádiva. Não deve ser concebido como uma guerra para acabar com o adversário, mas como oportunidade para avaliar uma gestão de governo”, afirmaram os prelados. O texto, divulgado pela Agência ECCLESIA após a 82ª Assembleia Ordinária da CEV, intitula-se “Referendo, consciência e responsabilidade”. Os prelados exortam os cidadãos a exercer o seu direito eleitoral e a “pronunciar-se explicitamente sobre a gestão do presidente da República e o seu modelo de governo”. Conscientes da tensão existente entre o presidente Hugo Chávez e a Igreja Católica, que o primeiro considera uma força de oposição, os bispos explicam que o propósito da mensagem é “compartilhar as preocupações do momento” e oferecer uma visão da realidade “livre de qualquer compromisso com visões políticas”. Do mesmo modo, os bispos pediram ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que facilite a organização do referendo revogatório “sem exigir excessivos requisitos que impeçam ou retardem sua realização” pois os resultados só serão totalmente aceites “se o CNE contribuir para dissipar as sombras e as dúvidas, chegando a um acordo razoável e ético com os agentes”. O CNE, acrescenta a mensagem, “deve rejeitar qualquer tentação de coacção ou fraude, que significaria uma violação à dignidade civil e poderia provocar impugnações e inclusive um desenlace violento”. O documento faz ainda um apelo aos líderes políticos para que empreguem uma linguagem à altura, evitem “confrontos” e “se abstenham de toda manipulação política e ideológica, agindo conforme a verdade”. Os bispos e arcebispos da Venezuela convocaram todos os sacerdotes, religiosos e leigos a unir-se numa Novena à Virgem Maria, a decorrer de 6 a 14 de Agosto, “pedindo pelo normal desenrolar do Referendo Revogatório”.
