Sinodalidade: «Podemos fazer coisas extraordinárias caminhando juntos», diz consultor da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos

Padre Dario Vitali participou nas Jornadas do Clero das Dioceses do Centro, em Fátima

Foto: Jornadas do Clero da Dioceses do Centro

Fátima, 28 jan 2026 (Ecclesia) – O padre Dario Vitali, consultor da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, destacou esta terça-feira a importância da sinodalidade na Igreja, nas Jornadas do Clero das Dioceses do Centro, em Fátima.

“Podemos fazer coisas extraordinárias caminhando juntos porque a sinodalidade é escuta e é como o TOM TOM (ou outro dispositivo de navegação) que, quando erramos no caminho, indica ‘recalcular’”, afirmou o professor da Universidade Gregoriana de Roma, citado por uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

Na conferência “A conversão das relações na perspetiva do Sínodo”, que decorreu durante a tarde, o orador indicou que “o primeiro ato da Igreja é a escuta”.

O orador apresentou a conversão do estilo, do sacerdócio comum (de todos os fiéis) e o sacerdócio ministerial (dos pastores), destacando que o Povo de Deus, juntamente com presbitério e o bispo são identidade.

“Cada igreja sabe que ministros e quantos são necessários no seu lugar para o seu povo de Deus, a igreja da serra não tem as mesmas exigências da igreja à beira-mar; temos de aprender a dimensão do discernimento”, referiu.

A tarde concluiu-se com grupos reunidos no método de Conversação no Espírito com a questão: “Onde podemos implementar o discernimento sinodal valorizando os sujeitos da Igreja local: povo de Deus, bispo e presbitério?”.

Já durante a manhã, o padre Dario Vitali apresentou a temática “Raízes sacramentais do Povo de Deus”.

“Não sabemos pensar no Povo de Deus como sujeito, torna-se difícil, mas surgiu a necessidade de pensar neste povo que caminha junto”, disse.

Foto: Jornadas do Clero da Dioceses do Centro

A intervenção focou que a reflexão teológica atual apresenta uma receção madura do Concílio Vaticano II, reafirmando a sinodalidade como o caminho para o futuro da Igreja Católica.

De acordo com o orador, a grande inovação reside na identificação direta da Igreja com o Povo de Deus, definido como o “sacramento de unidade”.

Na conferência destacou-se que um dos pontos de maior destaque da nova fase é a valorização da igreja local; durante décadas as igrejas particulares foram frequentemente vistas como subordinadas à Igreja Universal.

O padre Dario Vitali realçou um modelo que exige uma nova dinâmica de relações – bispo e Povo: o bispo como princípio de unidade da sua comunidade; presbitério e Serviço: o clero ao serviço direto do Povo de Deus e ministerialidade: o reconhecimento da diversidade de ministérios que compõem a vitalidade da Igreja local.

As Jornadas do Clero das Dioceses do Centro de 2026 (Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu) realizam-se no Centro Paulo VI, em Fátima, até quinta-feira, com o tema “Conversão das relações: da comunhão à missão”.

A iniciativa inspira-se no Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024), aprovado pelo Papa Francisco.

LJ/OC

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