Bispo de Portalegre-Castelo Branco lembra que o clero está «essencialmente ao serviço» e os leigos devem ser «sujeitos da vida da Igreja»

Lisboa, 12 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco disse que o que “poderá ser novo” no atual caminho sinodal é “a função” das várias instâncias de participação na Igreja Católica enquanto “lugares onde efetivamente se vai construindo a decisão”.
Para D. Pedro Fernandes, é necessário “aproximar muito mais os processos de discernimento dos processos de deliberação e perceber que as diferentes instâncias de participação, os diferentes órgãos colegiais que existem nas igrejas locais, devem entender-se não apenas como lugares onde os decisores vão escutar coisas para eventualmente depois decidirem, mas como lugares onde efetivamente se vai construindo a decisão, a partir da escuta do Espírito”.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco apontou como “o grande obstáculo” à implementação da sinodalidade a “resistência à mudança”.
O obstáculo fundamental é a nossa dificuldade em escutar. E temos dificuldade em escutar porque temos medo daquilo que a escuta nos poderá trazer de novo e poderá implicar de transformação”.
D. Pedro Fernandes apontou o clericalismo como “um obstáculo na Igreja Católica em geral”, acrescentando a dificuldade de acolher a diferença e permitir a “escuta de todos” e a inclusão”, lembrando que algumas estruturas já “fizeram o seu tempo e deram o seu contributo”, mas podem não estar “ajustadas à realidade atual” e “precisam mudar”.
Bispo de Portalegre-Castelo Branco há cerca de dois meses, D. Pedro Fernandes considera que a sinodalidade “já vai sendo uma prática” e é “sobretudo um desafio”.
É um convite enorme que o Espírito Santo está a fazer à Igreja toda, e portanto também à Diocese Portalegre-Castelo Branco, onde estou, de se abrir ao Espírito, de escutar. E a escuta de Deus significa pôr-nos à escuta uns dos outros, porque Deus nos fala a todos”.
D. Pedro Fernandes desafiou os leigos a se sentirem “agentes da sinodalidade, protagonistas, sujeitos da vida da Igreja, não apenas “consumidores de serviços” ou “recetores de decisões”, mas “participantes ativos nesses processos de decisão”, e disse que o clero está “essencialmente ao serviço.
O que me parece fundamental para nós, que somos clero, é percebermos que estamos, essencialmente, ao serviço. E estamos ao serviço da comunhão. Portanto, somos batizados, como os outros, e fomos destacados numa vocação específica, com um dom do Espírito, em específico, que está verdadeiramente ao serviço da construção da comunidade”.
Em declarações durante o II Encontro Sinodal Nacional, que decorreu no último sábado em Fátima, o bispo de Portalegre-Castelo Branco sublinhou que o fundamental é ser batizado, “cada um segundo a sua vocação específica”, assumindo que “todos têm protagonismo porque todos são sujeitos da Igreja”.
PR
