Sinodalidade: «A ação agora é o que está nas nossas mãos» – D. Virgílio Antunes

Vice-presidente da CEP afirma que as «muitas considerações» devem ser levadas à prática

Foto Agência ECCLESIA/PR, D. Virgílio Antunes

Fátima, 10 jan 2026 (Ecclesia) – O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Virgílio Antunes, defendeu hoje, em Fátima, que este é o momento de colocar em ação a sinodalidade, implementando-a na vidas das comunidades.

“Sem desprezar nem menorizar absolutamente nada daquilo que é a tradição viva da Igreja, que tem um ponto alto no Concílio Vaticano II, mas de facto nós não podemos, como Igreja, reduzir tudo a uma dimensão técnica. A ação agora é o que está nas nossas mãos”, afirmou D. Virgílio Antunes, em declarações à Agência Ecclesia.

A Conferência Episcopal Portuguesa promove ao longo do dia de hoje o II Encontro Sinodal Nacional, reunindo responsáveis dos vários organismos católicos para avaliar o último ano e definir “implicações pastorais” dos processos de escuta em curso.

O bispo de Coimbra mostrou-se “convencido que o caminho da sinodalidade nunca pode ser e nem vai ser fracassado, porque é o caminho da Igreja”, tal como já o disseram os Papas Francisco e Leão XIV, e esta é a circunstância em que está a viver.

D. Virgílio Antunes destacou que “os momentos de reflexão e de estudo da teologia, da eclesiologia, dos padres da Igreja, como é recomendado”, bem como “da tradição, do fundamento bíblico e da escritura” são levados “muito a sério”, no entanto é necessário passar à execução.

“Temos de passar à ação e nós às vezes ficamos por muitas considerações, inclusive teológicas, que depois não têm aplicação concreta na vida das dioceses, das paróquias, das unidades pastorais, dos movimentos e dos serviços, desligamos uma realidade da outra, de facto é a ação bem enraizada e nós temos que desenvolver estes aspetos que estão ainda por concretizar”, reforçou.

O vice-presidente da CEP recordou o Concílio Vaticano II, que trouxe muitas “ideias, intuições, perspetivas”, “orientações e caminhos muitíssimo belos que fazem parte da Igreja”, todavia não houve a “capacidade ao longo destas décadas” de trazê-las à realidade concreta.

Foto Agência ECCLESIA/PR, II Encontro Sinodal Nacional

“A sinodalidade tem que ajudar-nos a pôr em prática na vida das comunidades esta questão da escuta, do acompanhamento, do discernimento, dos órgãos de participação e de corresponsabilidade a funcionar de forma efetiva e em todas as comunidades”, enfatizou.

Para D. Virgílio Antunes, a autoridade na Igreja não pode ser “motivo” para que tal não aconteça.

O bispo de Coimbra expressou satisfação por ver o Papa Leão XIV confirmar este “caminho da sinodalidade”, através das homilias e discursos que profere, lembrando que o pontífice participou nas duas sessões do Sínodos dos Bispos (1ª sessão: 4-29 de outubro de 2023; 2ªsessão: 2 a 27 de outubro de 2024).

“Tem acompanhado de perto mais do que qualquer um de nós o que significa a sinodalidade e conhece muito bem os padres da Igreja e conhece a escritura e conhece a tradição da Igreja, portanto sentimos muito felizes por ver confirmado todo este caminho que é o caminho da Igreja no presente e vai ser o caminho da Igreja no futuro, evidentemente”, exprimiu.

Foto Agência ECCLESIA/PR, II Encontro Sinodal Nacional

Questionado sobre se falta aos leigos e às comunidades um clique para “assumir o espírito de serviço e de corresponsabilidade”, D. Virgílio Antunes considera que, nas dioceses, já é possível ver elementos que participam “ativamente” em todas as fases do processo da Igreja em que todos caminho em conjunto, bem como se sentem bem por colaborar deste modo.

“As pessoas sentem-se felizes, nós ouvimos muitas vezes, e sentem-se felizes porque do ponto de vista prático acham que dá bons resultados, as pessoas sentem-se envolvidas e sentem-se felizes por estar a dar a sua colaboração de uma forma ativa, de uma forma livre, de uma forma responsável”, indicou.

O II Encontro Sinodal Nacional iniciou com a reflexão de D. Virgílio Antunes, vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, sobre “a espiritualidade sinodal e implicações pastorais”, e promoveu a partilha de “percursos e iniciativas” que concretizam o Documento Final do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade.

PR/LJ

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