Setúbal: D. Américo Aguiar diz que «mapa clássico» das paróquias pode ser um entrave à evangelização

Cardeal encerrou visita pastoral a Cacilhas e Pragal, sublinhando importância do acolhimento aos fiéis

Foto: Diocese de Setúbal

Almada, 25 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal sustentou, no Pragal, que a atual organização territorial da Igreja precisa de ser repensada, admitindo que a geografia tradicional das paróquias pode, nalguns casos, dificultar a missão evangelizadora.

“O mapa clássico das paróquias, em alguns sítios, em vez de ser uma oportunidade de evangelização, é um entrave a essa evangelização. Temos de ser sensíveis ao que o Espírito sopra”, disse D. Américo Aguiar, este sábado, numa reunião com o Conselho Pastoral e o Conselho Económico da paróquia.

No encerramento da visita pastoral às comunidades de Cacilhas e Pragal, o cardeal instou a um “olhar realista” sobre o território, sublinhando que “é totalmente diferente falar em Almada ou em Canha, Pegões ou até Azeitão”.

Durante o encontro com os órgãos consultivos, o bispo sadino valorizou a colaboração dos leigos na gestão da vida paroquial, alertando que, embora o pároco tenha a última palavra, “tem de ter bom senso, porque se decide sempre ao contrário do Conselho, algo de errado se passa também”.

Num outro momento, em diálogo com os fiéis na igreja, o bispo de Setúbal focou-se na importância da empatia no acolhimento, avisando contra atitudes de rejeição a quem procura a Igreja.

“Às vezes há um estranho que chega fragilizado e tem o azar de levar com alguém que não é empático… Não há uma segunda oportunidade para provocar uma primeira boa impressão”, advertiu, numa homilia divulgada pela Diocese de Setúbal e enviada hoje à Agência ECCLESIA.

O encerramento da visita pastoral coincidiu com o Domingo da Palavra de Deus, tendo D. Américo Aguiar presidido à Eucaristia na Ermida de São Sebastião, no Pragal.

O responsável católico sublinhou que a Bíblia não serve para “tranquilizar a consciência”, mas para colocar os cristãos a caminho, abrindo-os aos outros e à realidade.

“Jesus não começa por discursos complicados. Começa por caminhar, olhar, aproximar-se e chamar. A Palavra de Deus nasce sempre do encontro”, afirmou.

Foto: Diocese de Setúbal

O cardeal lamentou a “pouca curiosidade” de algumas comunidades em conhecerem as Escrituras e destacou que, durante os dias de visita, viu “muitos sinais de uma Palavra já acolhida e vivida” no serviço silencioso e na atenção aos mais frágeis.

Após a celebração, realizou-se a procissão com o andor de São Sebastião, gesto que D. Américo Aguiar definiu como sinal de uma Igreja que “não fica fechada dentro de portas”.

O pároco de Cacilhas e Pragal, padre Pedro Baldaia, agradeceu a presença do bispo, descrevendo-o como “um verdadeiro pastor que veio ao encontro”, sem se deixar travar pela chuva, para escutar as preocupações e alegrias da população.

D. Américo Aguiar prossegue o seu itinerário pastoral na diocese, com visitas agendadas para as comunidades da Costa de Caparica e da Trafaria.

OC

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