José Luís Nunes Martins
Poucos são os dias em que a vida nos é agradável sem que tenhamos de lutar por isso. Não podemos controlar o que nos acontece, mas somos chamados a responder a tudo o que sucede connosco e à nossa volta, procurando sempre apontar o rumo da história para onde queremos.
Não se trata de uma escolha por ano, nem sequer por semana; é necessário decidir várias vezes ao dia, corrigindo os desvios das adversidades e anulando as tentações a que estamos sempre expostos. É mais fácil deixar-se ir, mas nesse caso o destino é quase sempre um conjunto de desgraças cada vez maiores.
Neste oceano dos dias, quem não se esforça para se manter à superfície vai ao fundo como se fosse uma pedra.
Contudo, há algo verdadeiro que parece ilógico à maior parte das pessoas: se procuramos o nosso próprio bem, nunca chegaremos a concretizar os nossos sonhos. Só é feliz quem luta contra os seus instintos egoístas e se dedica a cuidar do bem dos que lhe estão próximos.
Só é feliz quem ama, todos os dias. Só ama quem vence o seu natural egoísmo.
Muitas são as doenças graves que não se podem combater, porque o adversário não joga segundo as mesmas regras que nós. Na verdade, ninguém perde a luta contra uma enfermidade, porque nela não existe qualquer justiça. Ainda assim, nesses casos, cabe a cada um de nós lutar contra o desânimo que, qual tempestade, procura enfraquecer-nos e fazer de nós vivos sem vida.
Somos chamados a ser guerreiros, amando os que estão próximos de nós a cada dia e cuidando do que há de bom em nós, pensando neles.
Se há algo que pude aprender na vida é que temos de lutar tanto que, quando acontece uma vitória, não é uma enorme alegria que sinto, mas um alívio pelos meus esforços terem valido a pena.
Consiga cada um de nós que o seu último sopro aqui e o primeiro lá – seja um só suspiro… de alívio!
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