Saúde Mental: Capelão em clínica psiquiátrica pede «muita atenção» para novas gerações

Frei Hermínio Araújo aborda Dia Mundial da Saúde e celebrações do Jubileu ligadas ao setor

Lisboa, 04 abr 2025 (Ecclesia) – Frei Hermínio Araújo, capelão na Clínica Psiquiátrica de São José, em Telheiras (Lisboa), alertou hoje que a saúde mental é uma realidade que, “nos dias de hoje, precisa muita atenção, nomeadamente as gerações mais novas”.

“Os estudos estão a dizer-nos, e a chamar a atenção, que, sobretudo, a infância, a adolescência e a juventude, todas as fases da vida, mas sobretudo estas, merecem uma atenção muito centrada, que estejamos muito direcionados para esta realidade”, disse o frade franciscano, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O capelão na Clínica Psiquiátrica de São José (Telheiras/Lisboa), das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com uma experiência de “mais de 25 anos”, afirma que a área da saúde mental é uma realidade que “merece muita atenção” no contexto do Ano 2025, “de um jubileu de esperança”.

As casas de saúde hospitaleiras, do Instituto de São João de Deus e do Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, vão passar a integrar a rede nacional de prestação de cuidados de saúde mental do SNS, na sequência de um acordo assinado pela Administração Central do Sistema de Saúde do Ministério da Saúde, uma sessão presidida pela secretária de Estado da Gestão da Saúde, no dia 28 de março.

“Acredito que sejam passos muito significativos para estarmos muito atentos a todas as situações, nomeadamente estas fases de vida, da vida das pessoas mais fragilizadas. E nós sabemos que os adolescentes, os jovens, estão cada vez mais fora da dinâmica relacional humana”, salientou frei Hermínio Araújo, sobre o acordo que permite que estas instituições sejam parceiras do Sistema Nacional de Saúde, no âmbito da saúde mental.

O entrevistado recordou que quando entrou no mundo da hospitalidade, contactou com o documento ‘Pastoral no Mundo do Sofrimento Psíquico’, “o primeiro grande documento que as Irmãs Hospitaleiras têm sobre este assunto”, que foi significativo, e, recentemente, elaboraram “um novo documento”, intitulado ‘A Pastoral na Missão Hospitaleira’.

Segundo o sacerdote, que integrou a equipa internacional, no novo documento – ‘A Pastoral na Missão Hospitaleira’ – evidenciaram “algumas coisas a partir da experiência” do primeiro, que “focava sobretudo a pastoral muito em linha com a realidade da Igreja, a ação de cada membro, nas instituições, concretamente das Irmãs Hospitaleiras, como formas de ser Igreja”, mas, colocaram “algumas tónicas”, por exemplo, nas pessoas que não têm uma confissão religiosa.

“Isto é uma novidade num documento, de alguma forma de magistério da Igreja, também é de uma instituição da Igreja,  isto é uma proposta que serve e que beneficia as próprias comunidades cristãs, as paróquias, para dizer que estamos muito atentos mesmo àqueles que, porventura, não sejam praticantes, mas estamos muito atentos ao acompanhamento espiritual”, explicou frei Hermínio Araújo, em entrevista nas vésperas do Dia Mundial da Saúde (7 de abril).

Neste contexto, o capelão na Clínica Psiquiátrica de São José indica que um texto do Evangelho que se associa ao mundo da saúde é “imediatamente o ‘Bom Samaritano’, mas, a equipa que redigiu este documento, destacou os “discípulos de Emaús, Jesus ressuscitado, a caminho, com aqueles homens que estavam desiludidos”: “Encontram-se na partilha do pão, e regressam a Jerusalém, que é o caminho dos peregrinos de esperança”.

No Programa ECCLESIA, transmitido hoje, na RTP2, o entrevistado comentou o Jubileu dos Doentes e do Mundo da Saúde, que se realiza este sábado e domingo (5 e 6 de abril) no âmbito do Ano Santo 2025 que a Igreja Católica está a celebrar, e também os textos da liturgia que vão ser lidos este domingo, nas Missas.

PR/CB/OC

 

 

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