Santarém: «Um padre sem tempo para rezar e preparar as reuniões e celebrações comunitárias, necessita de rever a sua ocupação», alerta bispo

D. José Traquina interveio na Assembleia Geral do Clero, onde foram identificados locais mais atingidos pela depressão Kristin

Foto: Diocese de Santarém

Santarém, 10 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Santarém, D. José Traquina, advertiu hoje os padres da Diocese de Santarém, no Centro Pastoral Diocesano, para o desempenho de funções em “excesso” que pode resultar em desânimo para concretização desta missão.

“Num ano pastoral de maior exigência de trabalho por redução do número de padres, importa refletirmos sinodalmente, escutando-nos uns aos outros e escutando também o povo de Deus das nossas comunidades, como proceder de forma correta para não cair no esgotamento, cansaço e falta de motivação para exercer o ministério”, afirmou D. José Traquina.

Segundo o bispo, os sacerdotes têm “a responsabilidade de avaliar” a própria “dedicação pastoral e analisar se a ocupação está em excesso de tal modo que retira ao padre a alegria e a vontade de reunir e progredir em comunhão diocesana”.

Peço a todos a generosidade mas também a coragem para pôr limites à generosidade perigosa que faz secar a alegria da missão. Um padre sem tempo para rezar e preparar as reuniões e celebrações comunitárias, necessita de rever a sua ocupação”, apelou D. José Traquina, citado pela Diocese de Santarém.

Na manhã do encontro, o bispo diocesano indicou que em conjunto se vai formular uma proposta de Estatutos para os Conselhos Pastorais Paroquiais ou Interparoquiais.

“Não pode ser visto como mais uma ocupação mas o modo de promover a responsabilidade dos cristãos na missão da Igreja, podermos partilhar tarefas e ganharmos tempo para assegurar a qualidade e a vida espiritual do pastor”, referiu.

D. José Traquina alertou que “um pastor que se afasta dos outros pastores também se afasta das suas ovelhas e há ovelhas que se queixam desse afastamento”.

“Devemos ser prudentes mas sabendo que a razão de ser da nossa vocação é o povo de Deus nas comunidades a que presidimos e também àqueles a que não presidimos porque não aparecem mas foram consagrados filhos de Deus pelo Batismo”, defendeu.

Foto: Diocese de Santarém

Na Assembleia Geral do Clero, o bispo diocesano abordou a realidade das tempestades que têm atingido Portugal nas últimas semanas, manifestando proximidade com as comunidades atingidas.

Assentiz e Paialvo; Alcobertas, Valada, Alviobeira e Casais, bem como outros lugares na vigararia de Tomar foram apontados como os locais mais transtornados pela depressão Kristin, informa nota enviada à Agência ECCLESIA.

No encontro, foi também realçado e reconhecido o trabalho conjunto de paróquias e autarquias, tendo sido referido também o papel da Cáritas Diocesana, que colaborou com as Cáritas paroquiais, em especial na vigararia de Tomar, a mais atingida.

A recente Formação Permanente do Clero de Santarém, que decorreu nos dias 27 e 28 de janeiro, foi também um dos assuntos do encontro, com os presbíteros e diáconos presentes a partilharem as inquietações que esse momento produziu e caminhos a traçar para o futuro próximo.

Ainda no período da manhã, D. José Traquina convidou o clero a ajudar os leigos a despertar para a necessidade da atenção da fé nas suas vidas, ao encontro dos apelos dos Papas Francisco e Leão XIV, a valorizar a dimensão do amor, reconhecer como Deus os ama, e o apelo à dimensão concreta da caridade, num Evangelho que se torna carne na experiência da humanidade.

LJ/OC

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