Margarida Cordo apresentou conferência sobre os cuidados de acompanhar e ser acompanhado, na Formação Permanente do Clero

Santarém, 28 jan 2026 (Ecclesia) – A psicóloga clínica Margarida Cordo alertou hoje os sacerdotes da Diocese de Santarém para o ‘burnout’ na vida consagrada, sublinhando a necessidade de pedir ajuda nestes casos.
“Um padre saudável é aquele que transita saudavelmente entre a cadeira de quem acompanha e quem é acompanhado. Pedir ajuda não é falhar na fé”, afirmou a profissional, na Formação Permanente do Clero de Santarém, no Centro Pastoral Diocesano.
Perante os sacerdotes, a psicóloga defendeu a importância de “desconstruir a imagem da figura do ‘super-homem’ sacramental tantas vezes colocada sobre os ministros da Igreja”.
“Somos todos humanos e assumir a vulnerabilidade não é humilhação”, destacou.
A psicóloga apresentou esta manhã a conferência com o tema “Padres acompanhadores e acompanhados; os cuidados para acompanhar e ser acompanhado”.
“O padre, o psicólogo, o médico que acompanha também precisa de se deixar acompanhar. Somos produto da nossa história, mas não temos de ficar reféns dela. O nosso passado é o nosso meio de transporte até ao presente, mas não uma jaula”, indicou.
Na intervenção, Margarida Cordo abordou o lado dos clérigos acompanhadores, que oferecem orientação e suporte espiritual, servindo como guias no caminho da fé e do crescimento pessoal, bem como dos acompanhados, os que buscam apoio e orientação, reconhecendo as suas próprias necessidades de crescimento e cuidado.
“Dá quem tem, recebe quem precisa”, referiu.
No contexto do clero, a profissional explicou que “a entrega ao outro é a norma”, mas “os que dão precisam de ter um equilíbrio na sua doação e entrega”.
“A harmonia da vida e a disciplina, são essenciais. Quando damos, somos capazes de receber? Ou é só uma máscara a doação exterior? Ninguém dá apenas nem recebe só”, realçou.
A psicóloga elencou alguns critérios que ajudam a compreender quando alguém necessita de cuidado, porque existem sinais de alerta que se revelam e que devem ser atendidos.

Entre os de sintomas psicossomáticos estão a fadiga extrema, a ausência de apetite, a insónia severa, dores crónicas; uma rigidez e escrúpulo obsessivo demonstrados de um vida espiritual compulsivo, um perfeccionismo paralisante, a incapacidade de paz interior, e pensamento ruminativo sobre pecado.
Na apresentação, a psicóloga identificou também uma série de critérios de cuidado, úteis para o padre acompanhador, e para qualquer pessoa, que é chamada pela missão, a orientar a vida de quem lhe é confiado.
Segundo a intervenção, a pessoa que deve conhecer os próprios limites, feridas e pontos cegos para não projetar os mesmos nos que são acompanhados.
Foi ressaltada a capacidade de ouvir verdadeiramente, no exercício de escuta sem pressa em julgar ou oferecer soluções rápidas, validando a experiência do outro.
Iniciada esta terça-feira, a Formação Permanente do Clero de Santarém termina hoje com a oração das vésperas.
LJ/OC
