Santarém: Bispo preside à ordenação de um sacerdote e um diácono, convidando-os a rejeitar «ministério como exercício de poder»

Na Festa do Batismo do Senhor, D. José Traquina destacou o cuidado com os mais pobres como «desafio permanente da missão da Igreja»

Foto: Diocese de Santarém

Santarém, 12 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Santarém ordenou este domingo um padre e um diácono, na Sé da cidade, deixando algumas observações e alertas, entre eles um relacionado com o processo sinodal em curso e a envolvência dos cristãos.

“Está em causa a capacidade de nos escutarmos uns aos outros, abertos à surpresa do Espírito Santo para discernir e decidir novas opções. Não podemos fazer do ministério um exercício de poder de forma a inibir os cristãos de participarem no discernimento da vida e missão da Igreja”, afirmou D. José Traquina, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.

Além da “implementação da sinodalidade como modo de ser Igreja”, que é também o programa diocesano de pastoral de Santarém, o bispo advertiu para um aspeto da realidade social.

Um desafio permanente da missão da Igreja é o cuidado com os mais pobres. Não podemos ficar na indiferença e deixar os pobres à responsabilidade do Estado e das instituições sociais”, salientou.

Segundo D. José Traquina, este é um “assunto desafiante” e, por isso, não se pode “abraçar o ministério sagrado sem considerar a necessidade de corresponder ao cuidado social da missão da Igreja”.

“Temos de estar com os cristãos leigos apoiando-os na procura de soluções para situações de carência social e colaborar com eles na gestão das instituições sociais das paróquias e dos grupos socio-caritativos, sem esquecer o cuidado espiritual junto dos pobres”, impeliu.

Perante o diácono António Francisco, ordenado sacerdote, e o seminarista Francisco Sá Nogueira, ordenado diácono, o bispo diocesano lembrou que “a identidade de um clérigo, diácono, padre ou bispo, depende da sua vida espiritual, da sua união com Cristo”.

D. José Traquina defendeu que devido à falta de padres e diáconos, é necessária “disciplina pessoal para que ninguém seja atraiçoado pela sua própria generosidade”, ou seja, “o excesso de atividade pode secar a vida espiritual”.

“Como discípulos de Jesus, devemos dar-lhe o centro da vida interior, do coração, e cultivar o amor que nos identifica como seus discípulos. Se não houver esta vigilância, facilmente um discípulo torna-se o ídolo de si mesmo”, disse ainda.

Foto: Diocese de Santarém

Num “dia de alegria e esperança”, com duas novas ordenações, o bispo de Santarém fez referência à festa do Batismo do Senhor, caracterizando este sacramento como “o primeiro grande dom e sinal” da “consagração e pertença a Deus”.

“Também para vós, António Francisco e Diácono André, o Batismo foi o sim de Deus em resposta à Fé dos familiares que vos apresentaram na Igreja. A experiência da Fé acontece, não como uma ideia que nos convence, mas como uma luz do Amor de Jesus que cresce no coração de uma criança”, referiu.

LJ/OC

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