O Núncio do Vaticano nas Nações Unidas, arcebispo Celestino Migliore, pediu que os Estados de todo o mundo mostrem mais “vontade política” para a paz. Falando à assembleia geral da ONU, na passada quarta-feira, o prelado disse que isso permitiria aos recursos morais de cada país transformar as civilizações, “para que elas aprendam a dar valor à vida e a promover a paz”. “Se é verdade que o nome da paz é o autêntico desenvolvimento dos povos, a minha delegação também acredita que um importante motor desta paz é a vontade política”, afirmou. O representante do Papa deixou claro que “implementar esta vontade ajudará esta Assembleia a passar de ser um mero fórum de análise ou uma máquina de fabricação de resoluções, para converter-se num lugar de cultivo da transparência e da edificação da confiança”. D. Migliore referiu ser “muito claro que o mundo necessita agora da paz mais do que nunca”. “Com a necessária colaboração de todos os seus membros, a ONU pode ser verdadeiramente um instrumento efectivo da vontade política das nações do mundo”, acrescentou. Para o prelado, a globalização é incapaz de prevenir as ameaças à paz, “devido ao renascer de uma cultura tendente a criar muros de separação entre os povos”. Como exemplos de sinal contrário a esta tendência, D. Migliore apresentou iniciativas de cooperação entre representantes de diferentes religiões promovidas pela UNESCO, para enfrentar desafios como “o terrorismo, a resolução de conflitos, a Sida, o papel dos líderes religiosos para diluir as tensões, o apoio ao desarmamento e à não-proliferação de armamento”.
