Santa Sé pede à ONU uma condenação firme da clonagem humana

A Santa Sé pediu junto das Nações Unidas a proibição completa da clonagem humana, considerando que não há nenhuma justificação ética ou científica para essa prática. “A Convenção Internacional contra a clonagem reprodutiva do ser humano é um processo que tem como objectivo efectivo encontrar uma fórmula jurídica que identifique e possa banir práticas que não respeitem a dignidade humana”, disse o observador permamente da Santa Sé na ONU, arcebispo Celestino Migliore, no 6º comité sobre o artigo 150 da referida Convenção. A distinção entre clonagem reprodutiva e clonagem terapêutica foi considerada pela Santa como “capciosa”, frisando que “ambas implicam o mesmo processo técnico de clonagem e apenas diferem no objectivo, pelo que nenhuma delas respeita a dignidade do ser humano”. “A clonagem do embrião está, actualmente, muito distante de oferecer os progressos que os seus defensores sugerem”, apontou o arcebispo Migliore. Defendendo que se acelere o progresso da ciência no aproveitamento das potencialidades das células estaminais, o representante do Papa vincou que “desde um ponto de vista eminentemente científico, o progresso terapêutico atingido graças às células estaminais adultas – provenientes da medula óssea, do sangue do cordão umbilical e de outros tecidos formados – é muito promissor”. Nesse sentido, destacou os milhares de vidas já salvas graças ao uso de células estaminais adultas, bem como o potencial já revelado por esta técnica no tratamento de pessoas com a Doença de Parkinson, lesões na coluna vertebral, malformações cardíacas e outras patologias. Para a Santa Sé, seria indispensável que a questão da clonagem humana fosse enfrentada “através de um instrumento jurídico, dado que a disciplina jurídica é essencial na promoção e protecção da vida humana”. Em Novembro de 2003, o Comité Legal da Assembleia Geral das Nações Unidas, que deveria analisar a proposta da Costa Rica para proibir toda forma de clonagem humana, decidiu adiar um tratado sobre a clonagem até 2005.

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