Santa Sé denuncia tráfico de seres humanos como negócio de milhões

A Santa Sé denunciou o tráfico de seres humanos como “a pior violação dos direitos dos imigrantes” e exigiu que a comunidade internacional combata as suas causas. Esta posição foi apresentado pelo arcebispo Silvano Tomasi, observador permanente da Santa Sé no escritório das Nações Unidas e Instituições Especializadas, em Genebra, na sessão da Comissão sobre Direitos Humanos. A reunião começou a 15 de Março e encerra-se a 23 de Abril. “Entre as violações dos direitos dos imigrantes, o tráfico de seres humanos é a pior. Afecta um milhão de pessoas transportadas anualmente através das fronteiras nacionais”, constatou. Lembrando que esta prática “implica diversos tipos de exploração de crianças, mulheres e homens”, o representante católico enumerou situações de “escravidão no trabalho, abusos sexuais e mendicidade”, que alimentam a corrupção e o crime organizado. “O tráfico de seres humanos passou a ser uma indústria de milhares de milhões de dólares”, denunciou o arcebispo. A Santa Sé defendeu que, para desmantelar as redes criminosas, é imprescindível que se dê voz às vítimas. “A informação que as vítimas do tráfico podem fornecer é incalculável, mas há que assegurar-lhes uma protecção legal clara”, advertiu D. Tomasi, sugerindo “autorizações de residência temporária para estimulá-las a cooperar com o sistema judicial”. O representante do Papa vincou que a luta contra o tráfico de seres humanos deve começar pelo combate às suas causas, começando pela elaboração de políticas de imigração que reflictam “as necessidades laborais e demográficas das sociedades de acolhimento” e abram “canais regulares de imigração suficientemente amplos, a ponto de prevenir as terríveis tragédias de perda de jovens vidas de imigrantes que cruzam desertos ou mares buscando uma vida decente”. “Na raiz da imigração encontramos com frequência a pobreza extrema e com o atrativo de possíveis trabalhos mais livres e humanos nos países de destino, como refletem poderosamente os meios de comunicação globais». Nesse sentido, o prelado deixou como sugestões “uma cooperação internacional na na perseguição dos traficantes” e “políticas de imigração menos restritivas e mais realistas”.

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