A agência Fides, órgão de informação da Congregação para a Evangelização dos Povos, publicou ontem um relatório onde denuncia a falta de uma política pública de saúde nos países pobres e assegura que a situação sanitária em todo o mundo é precária, “com especial referência às regiões mais necessitadas”. “Pobreza, subnutrição e carências higiénicas podem transformar em ameaças letais as infecções banais como a malária, pneumonia, disenteria, etc”, diz o texto do organismo do Vaticano para as missões. Segundo os dados revelados, a Igreja está presente com mais de 21.757 instituições sanitárias, espalhadas em todo o mundo e procura ajudar independentemente da confissão religiosa. O texto apresenta uma série de “dados alarmantes” sobre as doenças que mais causam mortes, sendo que as doenças infecciosas são responsáveis por quase metade dos óbitos nos países em desenvolvimento, principalmente porque as pessoas mais pobres não têm acesso aos medicamentos necessários para a prevenção e para o tratamento. A Sida, a tuberculose e a malária são as três causas principais aqui apontadas: cerca de 300 milhões de pessoas adoecem e mais de 5 milhões morrem todos os anos por causa delas. Devido a carências nutricionais morreram 477.000 pessoas, sendo que nos países em desenvolvimento, há mais de mil milhões de pessoas que sofrem de subnutrição crónica, das quais 34% se encontram na África Subsaariana. Por causa da fome crónica, em cada ano são registados 12 milhões de óbitos (55%) entre as crianças com menos de 5 anos de idade. RESPOSTAS CATÓLICAS Desde o último censo realizado pelo Conselho Pontifício da Pastoral para os Agentes de Saúde sabe-se que a Igreja está vinculada a 21.757 instituições sanitárias, presentes em 12.596 localidades de 135 Países, ou seja, em 76% dos Estados do mundo. Das instituições sanitárias católicas, 37,4% pertencem a ordens religiosas e 19,12% às dioceses, num total de 56,52%. Na África e na Ásia, cerca de 80% das instituições sanitárias são católicas, pertencentes a ordens religiosas (respectivamente 35% e 70%) e às dioceses (respectivamente 45% e 10%).
