Romano Prodi lembra que a Igreja e a Europa estão «estreitamente ligadas» Uma peregrinação até à “capital espiritual da Europa”, Santiago de Compostela, está assinalar a entrada de 10 novos países na UE, a 1 de Maio próximo, e o processo de reunificação europeia que aproxima o Leste do Ocidente. É com este espírito que mais de 300 peregrinos dos 25 países da nova UE responderam ao desafio da da Comissão das Conferências episcopais da Comunidade Europeia (COMECE) de ocuparem uma semana de Abril a dar as boas vindas a uma nova Europa, “unida na paz, na justiça e na solidariedade”. A peregrinação, iniciada a 17 de Abril no mosteiro de São Domingos de Silos, chega amanhã a Santiago e congrega 40 bispos católicos, representantes ortodoxos, anglicanos, luteranos, vetero-católicos e calvinistas. A COMECE pretende, assim, mostrar ao mundo um exemplo de Europa “unida na diversidade, aberta, acolhedora e solidária”. A iniciativa tem o apoio dos líderes de três grandes instituições da União: Pat Cox, presidente do Parlamento Europeu; Romano Prodi, presidente da Comissão Europeia; Bertie Ahern, primeiro-ministro irlandês, que se encontra na presidência do Conselho Europeu no primeiro semestre deste ano. Numa videomensagem dirigida aos peregrinos, Prodi calssificou Santiago como “capital espiritual da unidade europeia” e lembrou que a Igreja e a Europa “estão estreitamente ligadas entre si”. “A comunhão que se realiza no Caminho deve recordar-nos a fé e a convicção que permitiram destruir os muros que sulcavam a Europa como cicatrizes, e permitiram à nossa União uma nova, mais ampla, respiração”, disse Romano Prodi. O presidente da Comissão europeia citou João Paulo II para felicitar a Europa que “respira com dois pulmões”, aludindo à aproximações entre Leste e Ocidente. Já a Ministra de Estado da Irlanda, Mary Hanafin, aproveitou esta ocasião para defender o “património espiritual” do cristianismo na Europa, defendendo que “ele está presente na inspiração e no trabalho das insituições que construíram a UE”. Presente na peregrinação esteve ainda o Núncio Apostólico em Espanha, arcebispo Manuel Monteiro de Castro, que apelou aos peregrinos para que “assinalem a nova dimensão da Europa, desejando uma UE unida, solidária e generosa”. Já hoje o presidente do conselho das conferências episcopais europeias (Ccee), D. Amédée Grab, disse que os cristãos não devem deixar de sonhar e contribuir para uma Europa melhor. “É preciso não desistir diante dos obstáculos de ordem política, económica e cultural que desconcertam e dividem os europeus”, referiu. Entre os problemas associados à construção europeia, o presidente da Ccee referiu o impasse no Tratado Constitucional da UE e a indecisão a respeito de uma eventual inclusão à herança cristã na Europa. “Os cristãos devem esperar, mas isso não significa passividade”, alertou. As ameaças do lucro e do dinheiro foram ainda assinaladas, numa intervenção que destacou “os desvios morais que tendem a oficializar o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido e a produção ou destruição de embriões”.
