O ministro israelita do Interior, Avraham Poraz, foi hoje recebido no Vaticano para fazer o ponto da situação sobre as negociações entre as duas partes, a decorrer em Jerusalém, relativas aos problemas dos vistos e dos pagamentos de impostos encontrados pela Igreja Católica em Israel. O Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, encontrou-se com Poraz e começou por reafirmar “a posição da Santa Sé sobre a paz, o conflito israelo-palestiniano e, em geral, sobre a situação no Médio Oriente”, segundo o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls. No decorrer desta visita foi evocado, segundo Valls, “o problema dos vistos de entrada em Israel para o pessoal religioso da Igreja Católica”. O ministro Poraz e o Cardeal Sodano debruçaram-se ainda sobre os progressos atingidos nas negociações destinadas a realizar um acordo que regule o regime fiscal das instituições eclesiásticas em Jerusalém. Após o encontro com o Cardeal Sodano, o ministro israelita deslocou-se a Castel Gandolfo, onde foi recebido pelo Papa. Vários responsáveis do Vaticano têm-se manifestado desiludidos com a maneira como se desenrolaram as últimas negociações com o Estado de Israel, onde não se registou nenhum tipo de avanço. Há quase um ano que as negociações tinham sido interrompidas por decisão unilateral do Governo israelita. As duas delegações voltaram recentemente a sentar-se à mesma mesa para reavaliar o acordo financeiro que estava em curso entre os dois Estados, quando tudo ficou suspenso. Em cima da mesa das negociações há três assuntos fundamentais para discutir: o estatuto fiscal da Igreja, a partir dos tratados internacionais anteriormente existentes; a recuperação pela Igreja dos bens eclesiásticos expropriados pelo Estado nos últimos anos; e a colaboração do Estado de Israel no apoio às obras sociais e educativas que a Igreja tem espalhadas pelo território, a favor das populações locais. O atraso nas negociações sobre a parte financeira do acordo de 1994 tem sido uma fonte de tensões entre o Vaticano e Israel. No passado dia 4 de Maio, o embaixador de Israel comunicou à Secretaria de Estado do Vaticano a intenção do seu Governo de retomar o diálogo, para se chegar a um acordo até Dezembro de 2005.
